Turismo local está em decadência

Fábio Negrão olha para as águas azuis ao redor do nosso barco, que flutua a leste do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, e sonha. "Imagine se isso aqui também fosse parque", diz ele, mergulhador profissional e secretário de Turismo, Esportes e Meio Ambiente de Caravelas, o município que serve de porta de entrada para Abrolhos, no extremo sul da Bahia.

O Estado de S.Paulo

01 Abril 2012 | 03h06

Apesar de todas as belezas marinhas da região, famosa pela biodiversidade colorida de seus recifes e pela elegância das baleias-jubarte que vêm todos os anos se reproduzir e cuidar de seus filhotes ali, o turismo de Abrolhos está em decadência. Principalmente nos últimos cinco anos, desde que o aeroporto de Caravelas foi fechado.

O acesso à cidade, que fica a três horas de carro de Porto Seguro, ficou mais difícil, enquanto o acesso a outros destinos de mergulho, mesmo no exterior, ficou mais fácil, beneficiado por dólar baixo, estabilidade econômica e maior oferta de voos e serviços para lugares paradisíacos como Bahamas e Antilhas Holandesas. "Ficou mais fácil viajar para o Caribe que para Abrolhos", resume Negrão.

Os resultados, segundo ele, são os seguintes. O número de agências de turismo com escritório em Caravelas caiu de sete para dois. O número de embarcações credenciadas para trabalhar com turismo de mergulho e observação de baleias caiu de 30 para 7. O número de leitos de hotelaria passou de 700 para cerca de 250 - que passam boa parte do tempo vazios. Várias pousadas fecharam. Muitos dos moradores tradicionais que trabalhavam com o turismo na cidade ou como marinheiros nas embarcações foram embora ou passaram a sobreviver da pesca ilegal, feita com o uso de compressores e arpão.

Abrolhos, dizem os locais, "caiu no esquecimento". Mas há sinais positivos no horizonte. O governo federal incluiu Abrolhos como um dos destinos turísticos para a Copa do Mundo de 2014. O aeroporto de Caravelas está sendo reformado e há uma mobilização de prefeitos e lideranças locais para melhorar os serviços e recolocar a região no mapa, segundo Negrão. Associado a tudo isso, diz ele, a expansão da rede de áreas protegidas seria uma maneira de assegurar a preservação das belezas submersas de Abrolhos, que são seu maior atrativo.

As águas mais azuis, "tipo Caribe", diz ele, estão para fora do parque, onde o mapeamento por sonar feito pelos cientistas revelou a presença de buracas e de novos naufrágios, que estão sendo avaliados como pontos de mergulho recreativo.

Negrão defende a ampliação do parque e cobra a implementação da APA Ponta da Baleia-Abrolhos, que "daria condições melhores de pesca para as comunidades costeiras".

No parque nacional, onde só o ecoturismo e a pesquisa são permitidos, a visitação caiu nos últimos cinco anos também, apesar de um pequeno aumento de 2010 para 2011, com cerca de 4 mil visitantes. O parque tem cinco ilhas rodeadas de recifes bem conservados, que servem de hábitat para cinco espécies de aves marinhas.

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