Turquia contraria ONU e anuncia sanções à Síria

Resolução que abria caminho para sanções ao país foi vetada por Rússia e China

DOMINIC EVANS, REUTERS

05 de outubro de 2011 | 09h59

BEIRUTE - A Turquia disse nesta quarta-feira, 5, que irá impor sanções à Síria devido à repressão a manifestações pró-democracia no país, apesar de uma decisão em sentido contrário tomada pela ONU.

 

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Rússia e China deram na terça-feira uma vitória diplomática ao governo de Bashar al Assad, ao vetar no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas uma iniciativa ocidental que abriria caminho para futuras sanções da ONU a Damasco.

Mas o governo turco disse que adotará retaliações unilaterais ao país vizinho. "Naturalmente o veto... não pode impedir sanções", disse o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan. "Vamos, por necessidade, implementar um pacote de sanções."

Erdogan, que está em viagem à África do Sul, disse que irá anunciar o pacote de sanções dentro de alguns dias, após visitar um campo de refugiados sírios na Turquia.

O veto de Rússia e China ao Conselho irritou potências ocidentais, que já haviam imposto suas próprias sanções à Síria, e reforça o poder de Assad, pelo menos em curto prazo.

A resolução, de autoria da França, mas com participação também de Grã-Bretanha, Alemanha e Portugal, recebeu nove votos favoráveis e quatro abstenções (de Brasil, Índia, Líbano e África do Sul). Os votos de Rússia e da China foram os únicos contra.

"Este é um dia triste para o povo sírio. É um dia triste para o Conselho de Segurança", disse o chanceler francês, Alain Juppé, acrescentando que Paris continuará apoiando a "causa justa" dos sírios no que disse ser uma luta pela liberdade.

O embaixador chinês junto à ONU, Li Baodong, disse que Pequim se opôs à "interferência nos assuntos internos" da Síria. Já a Rússia vinha manifestando a preocupação de que a resolução acabasse levando a uma intervenção militar, a exemplo do que ocorreu neste ano na Líbia. Rússia e China buscam também limitar a influência ocidental no Oriente Médio.

Assad tem usado tanques e soldados para esmagar uma onda de protestos iniciada em março, como parte da chamada Primavera Árabe, movimento de rebeliões que já derrubou três governos do Norte da África neste ano.

A ONU diz que 2.700 civis já foram mortos. A Síria alega que grupos armados patrocinados por estrangeiros estão causando distúrbios e já mataram pelo menos 700 soldados e policiais.

A economia síria está se ressentindo dos efeitos dos protestos e das sanções dos EUA e da Europa contra o setor petrolífero do país.

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