Turquia diz que 4.000 fugiram da Síria, milhares vão à fronteira

Mais de 4.000 sírios fugiram para a Turquia para escapar de uma retaliação aos protestos contra o presidente Bashar al-Assad, e outras milhares de pessoas estão procurando abrigo perto da fronteira, disseram autoridades e ativistas neste sábado.

ALEXANDRA HUDSON, REUTERS

11 Junho 2011 | 11h37

Temendo uma vingança das forças de segurança pelos conflitos nos quais as autoridades dizem que 120 soldados foram mortos nesta semana, os refugiados deixaram a cidade de Jisr al-Shughour, no norte do país, antes de uma operação militar lançada pelo Exército na sexta-feira.

Um importante diplomata turco afirmou que 4.300 sírios cruzaram a fronteira, e que a Turquia está preparada para um fluxo ainda maior, embora tenha se negado a prever quantos mais podem buscar abrigo no país vizinho.

"A Turquia recebeu bem um grande número de estrangeiros no passado, nos tempos de mais necessidade. Faremos isso novamente", afirmou o vice-subsecretário do Ministério das Relações Exteriores, Halit Cevik, à agência de notícias estatal Anatolian.

Testemunhas na província fronteiriça de Hatay disseram que um hospital improvisado estava sendo montado em um dos campos de refugiados, e o jornal Radikal afirmou que a Turquia vai montar uma zona provisória de refúgio se o número de sírios passar de 10.000.

Na Síria, milhares de pessoas se juntaram perto da fronteira, de acordo com um ativista que ajudava a coordenar o movimento dos refugiados.

"A região fronteiriça se tornou praticamente uma zona de refúgio", afirmou o homem, que se identificou como Abu Fadi. "Famílias buscaram abrigos sob árvores e há de 7.000 a 10.000 pessoas aqui agora."

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que as forças de segurança mataram mais de 1.100 civis sírios, em uma retaliação cada vez mais sangrenta às manifestações que pedem a saída de Assad, mais liberdade política e o fim da corrupção e da pobreza.

No total, 36 manifestantes foram mortos a tiros na Síria na sexta-feira, disseram ativistas. Eles também afirmaram que autoridades sírias utilizaram helicópteros de combate na cidade de Maarat al-Numaan, caracterizando a primeira vez que reconhecidamente foi usada a força aérea contra a revolta.

O governo, que culpou "terroristas" pela onda de protestos, afirmou neste sábado que o Exército prendeu dois grupos armados em Jisr al-Shughour após lançar operações no local em resposta a pedidos dos moradores.

A agência de notícias estatal SANA afirmou que foram apreendidos explosivos, armas e detonadores.

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