Turquia 'pagará qualquer preço para derrotar rebeldes'

Apesar de declaração, governo não determinou se ataque é imediato.

BBC Brasil, BBC

21 de outubro de 2007 | 22h05

Líderes da Turquia afirmaram que não vão tolerar operações de separatistas curdos no Iraque e "pagarão qualquer preço" para derrotar o terrorismo depois do último ataque de rebeldes, que matou pelo menos 12 soldados turcos.Em confrontos depois da emboscada dos rebeldes, perto da fronteira com o Iraque, 32 rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), foram mortos, segundo os militares.Autoridades do setor de segurança da Turquia, ministros e generais se reuniram neste domingo para discutir um possível ataque contra bases do PKK no Iraque."Apesar de respeitar a integridade territorial do Iraque, a Turquia não vai tolerar que o terrorismo obtenha ajuda e não terá medo de pagar o preço que for necessário para proteger seus direitos, sua união indivisível e seus cidadãos", afirmaram as autoridades em uma declaração divulgada após a reunião."A batalha contra a organização separatista terrorista serão travadas com determinação até o fim", continuou a declaração.Mas, apesar das palavras fortes, as autoridades turcas não afirmaram que o ataque seria imediato, segundo a correspondente da BBC, Sarah Rainsford.O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan afirmou que a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu que a Turquia não tomasse nenhuma medida nos próximos dias.Segundo Erdogan este é um sinal de que o governo dos Estados Unidos está levando a sério os temores da Turquia em relação aos rebeldes curdos.O último ataque, logo no início da madrugada do sábado, foi realizado por um grande grupo de rebeldes do PKK, que cruzou a fronteira do Iraque e fez uma emboscada perto do vilarejo de Daglica, segundo os militares turcos.O Exército afirmou que enviou reforços e helicópteros para a região, disparou artilharia e lançou ataques de retaliação nos quais 32 guerrilheiros foram mortos.Os guerrilheiros, por sua vez, afirmam que capturaram vários soldados turcos. O governo turco nega.Horas depois, uma bomba também atribuída ao PKK explodiu em um microônibus no sudeste do país e deixou dez feridos.Em várias cidades da Turquia ocorreram protestos reunindo milhares de pessoas, contra os ataques e pedindo uma ação do governo contra o PKK.Cerca de 3 mil rebeldes separatistas estariam na região entre a Turquia e o Iraque, onde desde a primavera as Forças Armadas turcas realizam manobras militares.Ocorreram confrontos na área desde o começo do ano, mas o último ataque foi um dos mais graves dos últimos tempos, aumentando a pressão do público para que o governo e os militares respondam, segundo a correspondente Sarah Rainsford.Os Estados Unidos, aliados da Turquia, pediram moderação, temendo que qualquer incursão militar possa desestabilizar a região mais pacífica do Iraque, a região curda autônoma, no norte do país.O Iraque também pediu que a Turquia não fizesse uma operação além da fronteira.O presidente iraquiano, Jalal Talabani, pediu que os rebeldes do PKK entreguem as armas ou saiam do país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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