Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h15

Seja lá o que Wagner Rossi quis dizer em sua carta de demissão com "aos amigos tudo, menos a honra", esquece, vai! Daqui a pouco ninguém lembrará sequer que foi ele o tal ministro da Dilma que achava muito natural pegar carona em jatinho de empresa contratada por sua pasta. Quase sempre é assim: os 15 minutos de fama da maioria dos ministros são os piores de sua vida. De muitos deles, inclusive, você só ouve falar quando caem.

O Rossi, pelo menos, foi apresentado ao Brasil que só conhece Brasília pelo Jornal Nacional com umas duas semanas de antecedência. Hoje, todo brasileiro razoavelmente informado sabe que ele é filiado ao PMDB, apadrinhado de Michel Temer, desafeto do Jucazinho, pai de um filho chamado Baleia, e basta! Não há mais tempo a perder com o demitido, especialmente se você não faz a menor ideia de quem seja o novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho - Mendezinho, para os íntimos.

Bobagem correr pro Google ou recorrer a um amigo gaúcho eleitor do deputado que virou ministro. Por melhor que sejam os currículos, ministros só se revelam no cargo. Quando menos se espera, surge no noticiário um sujeito que ninguém imaginava. Às vezes, nem o próprio se reconhece - parece que, quanto mais de perto, menos normal.

Será que um dia vamos sentir saudade do tempo em que Mendes Ribeiro era o "famoso quem" que chegava ao primeiro escalão? Lembra o Alfredo Nascimento? O ex-ministro dos Transportes nunca foi santo, mas nada se compara à reputação que o notabilizou em seus últimos dias no governo.

Cá pra nós, sinto uma certa nostalgia da época em que nunca tinha ouvido falar do Pedro Novais, que segue aproveitando seus 15 minutos de má fama no Ministério do Turismo. Tomara que passe rápido, né?

Cara a cara

Nicolas Sarkozy saiu de reunião com Angela Merkel em Paris achando que a coisa está feia.

A chanceler alemã, por sua vez, deixou o encontro achando que o problema não é tão grande assim.

Os dois estão, à primeira vista, absolutamente corretos na observação mútua.

Incansável

Quando a gente pensa que o Aloizio Mercadante vai, enfim, dar um tempo, vem ele com a ideia de mudar o nome do Ministério da Ciência e Tecnologia para Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Pode?

Quase louro

O pessoal que trabalha com Mario Sergio Conti na revista Piauí finge que não repara nada diferente no chefe, mas só se fala disso pelos cantos da redação: o jornalista está clareando gradativamente o cabelo para substituir Marilia Gabriela no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Mundinho

O estilista John Galliano não está sozinho quando diz que "amava Hitler". Biografia lançada dia desses nos

EUA tenta provar que Coco Chanel foi agente secreta nazista durante

a 2ª Guerra. Pode ser uma tendência do mundo fashion.

Questão de ordem

Para suceder a Ricardo Teixeira na CBF depois que deixar a presidência do Corinthians - desejo que de vez em quando deixa escapar -, Andrés Sanchez precisa antes entrar para a família. Aquela neta do Havelange

é casada, tem filhos?

Eu, hein!

Não dá para entender por que o ex-ministro da Agricultura, Wagner Rossi, foi pegar carona logo no jatinho de uma empresa de agronegócio credenciada em sua pasta. Por que não pediu o avião do Eike Batista, caramba?! Ele empresta seu jatinho com o maior prazer quando o Sérgio Cabral pede.

Espanadinha

O perigo da tal "faxina contra a miséria" anunciada por Dilma Rousseff é, na pressa, varrer os pobres pra baixo do tapete.

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