Twitter tenta aumentar sua relevância, mas ainda 'baleia'

Filipe Serrano

O Estado de S.Paulo

25 Junho 2012 | 03h09

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Foi uma quinta-feira dura para o Twitter. Depois de mais de seis meses sem passar por grandes problemas, a rede ficou fora do ar uma tarde inteira e provocou uma confusão que não se via há muito tempo.

O site diz ter percebido que estava inacessível para todos os usuários do mundo e logo tentou corrigir o problema. A página voltou. E depois caiu de novo. Até que duas horas depois, disse encontrado e resolvido o problema: um "cascade bug" (bug em cascata), um erro que não ficava restrito a uma parte isolada do software, segundo o site, mas provocava um efeito cascata, impedindo que usuários do mundo tivessem acesso. O bug virou até piada e logo foi criado um perfil com o nome @CascadeBug para tirar sarro do Twitter. A conta foi bloqueada e liberada duas vezes.

O cenário atrapalhado lembra os tempos da Fail Whale, a baleia que era símbolo quando o site caia e que até inspirou o neologismo "baleiou" no Brasil. Naquela época, as cambaleadas do Twitter, então ainda com poucos usuários, chegaram a ameaçar o futuro do site. Muitos deixaram de confiar. Ele só caía.

De lá pra cá, mudou muito. O Twitter se estabilizou, conquistou usuários no mundo inteiro, praticamente eliminou seus concorrentes, lançou versões em mais idiomas e se mostrou tão influente quanto o Facebook, criado pouco antes. Enquanto o Facebook se restringia a rede de amigos e contatos, o Twitter era aberto e voltado para qualquer um que quisesse seguir a pessoa (mais tarde o Facebook e o Google+ viriam a incluir opções de postagens públicas).

O site usou números para dizer que nos últimos seis meses esteve acessível quase o tempo todo: entre 99,96% e 99,99% do tempo de cada dia, todos 150 milhões de usuários puderam usar o site. "É nossa marca mais alta de confiança e estabilidade já atingida", escreveu Mazen Rawashdeh, vice-presidente de engenharia, no blog da rede social.

A notícia que o site ficou fora do ar ofuscou um anúncio importante feito pelo site no mesmo dia. Durante o festival Cannes Lions, o CEO do Twitter, Dick Costolo, disse que pretende levar seus produtos de publicidade a mais de 50 países, incluindo o Brasil. Os anúncios - como tweets, contas e trending topics patrocinados - devem começar a funcionar em algum momento neste ano, ajudando o Twitter a gerar receita fora dos Estados Unidos. A consultoria eMarketer recentemente estimou que a receita de publicidade do Twitter foi de US$ 139,5 milhões em 2011 e que o valor deve chegar a US$ 1 bilhão em 2014.

Ao contrário do Facebook, o Twitter também gera receita com anúncios por celular - e 60% dos usuários usam o Twitter pelo telefone. Costolo disse que o valor arrecado com a publicidade móvel chega a superar a receita com anúncios tradicionais em alguns dias.

Esta foi mais uma novidade boa para o Twitter, que tem passado por uma sequência de grandes mudanças nos últimos meses. Recentemente, o site anunciou a mudança para uma nova sede em São Francisco e passa por uma reestruturação interna, como relatou Mike Isaac, do All Things Digital.

Também lançou um recurso de tweets "expansíveis". Com isso, será possível ler textos mais longos nos tweets de alguns parceiros do Twitter, principalmente sites de notícias. E ainda em junho, o Twitter exibiu seu primeiro comercial de televisão nos EUA.

A expectativa com o IPO do Facebook e sua turbulenta repercussão deixou o Twitter em uma posição de importância menor, mas ele parece mostrar agora que realmente não quer ficar renegado à "segunda" rede social. Em um texto publicado semana passada, Om Malik, do Giga Om, chega a afirmar que, na sua tentativa de se adaptar às rede sociais, o Google deveria se preocupar mesmo é com o Twitter, não com o Facebook. Isso porque o site tem investido para melhorar suas ferramentas de buscas - contratando novos engenheiros - e para incrementar a parte técnica.

Seja como for, o Twitter terá de definir seu caminho agora para mostrar que ainda pode manter sua relevância nos próximos anos e se tornar uma empresa de internet que continuará a se reinventar. Mas sem "baleiar".

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