Ucrânia e rebeldes pró-Rússia acertam cessar-fogo; explosões são ouvidas em Donetsk

A Ucrânia e os rebeldes pró-Rússia acordaram um cessar-fogo nesta sexta-feira, o primeiro passo para o fim do conflito no leste da Ucrânia que provocou o pior impasse entre Moscou e o Ocidente desde o fim da Guerra Fria.

ANDREI MAKHOVSKY, REUTERS

05 Setembro 2014 | 12h50

O acordo, que entrou em vigor às 12h (horário de Brasília), foi acertado durante as conversas de paz com representantes da Rússia e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em Minsk, capital de Belarus.

No entanto, três explosões foram ouvidas a norte da cidade de Donetsk minutos após o cessar-fogo, disse um correspondente da Reuters no local.

“O mundo inteiro anseia pela paz, toda a Ucrânia anseia pela paz, incluindo milhões de moradores de Donbass (região tomada pelos rebeldes)", afirmou o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, em um comunicado.

“A vida humana é o valor supremo. Devemos fazer o possível e o impossível para pôr fim ao derramamento de sangue e ao sofrimento das pessoas”, declarou, acrescentando ter ordenado que suas forças armadas interrompessem as hostilidades às 12h (horário de Brasília) desta sexta.

Sergei Taruta, governador pró-Kiev da região de Donetsk, no epicentro da rebelião, disse à Reuters ter esperança de que o acordo seja mantido, mas uma autoridade de alto escalão dos separatistas disse que seu grupo ainda quer uma separação formal da Ucrânia.

"O cessar-fogo não significa o final de nossa política de separação (da Ucrânia)", afirmou Igor Plotnitsky, líder da região de Luhansk, outro bastião rebelde no leste ucraniano, aos repórteres.

Os termos do acordo não foram divulgados de imediato, mas as partes indicaram nesta semana que um corredor humanitário para refugiados e para assistência será criado, que haverá uma troca de prisioneiros e que o trabalho de reconstrução das áreas do conflito será iniciado.

Em um avanço inesperado nesta semana, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que ele e Poroshenko concordaram em linhas gerais sobre as medidas para a resolução do conflito, e delineou uma proposta de sete etapas para encerrar os cinco meses de combates.

A luta continuou mesmo durante as conversas. Disparos de morteiros e artilharia foram ouvidos nos arredores de Donetsk, e houve embates nas cercanias da cidade portuária de Mariupol, no sudeste da Ucrânia.

Os líderes da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) expressaram profunda cautela em relação à menção de um cessar-fogo, especialmente por vir no momento em que a Otan realizava uma cúpula no País de Gales e líderes da União Europeia cogitam novas sanções a Moscou.

Ao pressionar por um cessar-fogo nesta semana, Poroshenko melhorou sua situação, reagindo aos revezes recentes – as tropas ucranianas foram repelidas por uma força rebelde revigorada que o Ocidente diz ter recebido apoio militar da Rússia.

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