Ucrânia lança operação 'gradual' contra separatistas

Forças ucranianas lançaram uma "operação especial" nesta terça-feira contra milícias separatistas no leste da Ucrânia, onde a maioria da população fala russo, disseram as autoridades. Apesar da chegada de tropas por via aérea, a ação foi limitada.

GABRIELA BACZYNSKA E THOMAS GROVE, Reuters

15 Abril 2014 | 19h26

Soldados desembarcaram de dois helicópteros em um campo aéreo em Kramatorsk, onde mais cedo repórteres ouviram disparos que pareciam ter o objetivo de impedir o pouso de um avião da Força Aérea. As tropas voltaram atrás depois de serem recebidas com hostilidade por civis locais reunidos em uma barricada quando tentaram deixar o complexo.

Em Kiev, o presidente interino, Oleksander Turchinov, declarou uma vitória sobre rebeldes pró-Rússia ao dizer que a base aérea foi "liberada". Mas não havia sinais de militantes.

Uma autoridade ucraniana de alto escalão disse à multidão desarmada que tinha vindo dirigir uma "operação antiterrorista" anunciada por Turchinov no começo da terça-feira, depois de mais de uma semana de prazos estabelecidos por Kiev, e vencidos, para que ativistas pró-Moscou armados encerrassem a ocupação de edifícios públicos em cerca de dez localidades no leste do país.

Mas, após uma escaramuça com algumas das centenas de pessoas que entoavam palavras hostis às novas autoridades ucranianas, algumas portando bandeiras russas, as tropas se retiraram no fim da tarde.

O serviço de segurança da Ucrânia informou que uma operação antiterrorista também estava em curso contra separatistas na cidade vizinha de Slaviansk, mas não foram vistas provas de qualquer ação.

Entretanto, a determinação de Kiev de desafiar os militantes, que diz serem organizados pelo Kremlin, marcou uma escalada na maior crise entre Ocidente e Oriente desde a Guerra Fria.

O impasse despertou temores no Ocidente e em Kiev de que a Rússia possa intervir militarmente para "proteger" falantes de russo no leste da Ucrânia, na esteira da anexação da Crimeia no mês passado em reação à derrubada do presidente Viktor Yanukovich, apoiado por Moscou, depois de meses de protestos.

O Ministério das Relações Exteriores russo declarou estar "profundamente preocupado" com o que diz serem relatos de baixas no leste ucraniano, embora não esteja claro onde tais incidentes teriam ocorrido.

Um porta-voz do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o governo da Ucrânia foi obrigado a reagir às "provocações" no leste, mas Washington não cogita enviar armas a Kiev, embora "considere seriamente" aumentar as sanções impostas desde a anexação da Crimeia, declarou a Casa Branca.

Já o Departamento de Estado afirmou que tal ação é improvável antes de uma reunião em Genebra na quinta-feira na qual EUA, União Europeia e autoridades ucranianas tentarão persuadir a Rússia a esfriar os ânimos.

QUEDA DE AÇÕES

Os relatos de ação militar no leste ucraniano fizeram as ações russas despencarem, com os principais índices de Moscou recuando cerca de três por cento.

O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, fez uma avaliação sombria da situação, aparentemente se referindo às mortes de pelo menos duas pessoas no domingo, quando Kiev tentou sem sucesso recobrar o controle de Slaviansk, a 150 quilômetros da fronteira russa.

"Mais uma vez se derramou sangue na Ucrânia. O país está à beira da guerra civil", disse ele em sua página no Facebook.

Putin, que diplomatas ocidentais acreditam estar determinado a reafirmar a influência de Moscou no que outrora foi a União Soviética e além, disse ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que as ações ucranianas no leste são "anticonstitucionais".

Pelo menos quinze veículos blindados de tropas ostentando bandeiras ucranianas foram estacionados ao lado de uma estrada 50 quilômetros ao norte de Slaviansk, disseram testemunhas.

Na própria Slaviansk, separatistas ocuparam o quartel-general da polícia e do serviço de segurança.

(Reportagem adicional de Richard Balmforth, Conor Humphries e Serhiy Karazy, em Kiev; de Alessandra Prentice e Alexei Anishchuk, em Moscou; de Ben Blanchard, em Pequim; de Adrian Croft, em Luxemburgo; e de Tom Miles e Stephanie Nebehay, em Genebra)

Mais conteúdo sobre:
UCRANIAOPERACAOSEPARATISTAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.