UE diz que G20 não focará reivindicações financeiras da China

A Europa está tranquila com a crescente influência internacional da China, mas acredita que na próxima reunião do G20 ainda será muito cedo para decidir sobre a reivindicação chinesa por mais participação nos organismos globais financeiros, afirmou neste domingo a comissária de Relações Externas da União Européia (UE), Benita Ferrero-Waldner.

CHRIS BUCKLEY, REUTERS

29 de março de 2009 | 11h32

Ela disse à Reuters em Pequim que a reunião nesta semana em Londres do grupo de 20 países desenvolvidos e em desenvolvimento terá como foco "resultados concretos" para incentivar a economia global, e não temas mais gerais.

A China provocou turbulências durante os preparativos para a reunião quando sugeriu que o mundo passasse a usar mais os Direitos Especiais de Saque (DES) do FMI como moeda de reserva internacional, em vez de utilizar apenas o dólar dos EUA.

"Não acho que esse vai ser o tema que nós vamos realmente discutir em Londres," declarou Ferrero-Waldner, após conversa com o ministro do Exterior da China, Yang Jiechi, e o vice-premiê, Li Keqiang.

Ela complementou que a reivindicação chinesa por uma participação maior no Fundo Monetário Internacional (FMI) e em outros organismos financeiros não será o foco da reunião de Londres.

"É muito cedo para nós darmos uma resposta concreta," afirmou Ferrero-Waldner, em relação às demandas chinesas. "Esses temas têm que ser discutidos dentro do FMI, dentro das instituições internacionais financeiras."

A idéia de uma nova moeda de reserva baseada no FMI não foi completamente enterrada, mas vários líderes do G20 já deixaram claro que por enquanto o status do dólar como unidade dominante vai continuar.

Ferrero-Waldner busca amenizar diferenças entre Bruxelas e Pequim antes do encontro do G20 e de uma planejada cúpula entre a UE e a China para maio.

Ela disse que o potencial econômico da China naturalmente acarreta num papel internacional de mais peso para Pequim.

"Com a prosperidade da economia chinesa, estamos, claro, vendo uma política e uma diplomacia mais arrojadas," afirmou. Ela acrescentou que Pequim tem uma atitude "muito construtiva" em vários temas internacionais.

Recentemente, a China ficou irritada com a decisão do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de encontrar o Dalai Lama, líder budista. No entanto, as relações com a UE tem melhorado. O presidente Wen Jiabao visitou Bruxelas e outras capitais em fevereiro.

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