UE não fixa valor em acordo do clima

Bloco prefere guardar segredo sobre cifra destinada[br]a países pobres e espera propostas de outras nações

Andrei Netto, CORRESPONDENTE, PARIS, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

A 36 dias da 15ª Conferência do Clima (COP 15) das Nações Unidas, em Copenhague, "táticas de negociação" impediram que a União Europeia anunciasse o valor que se dispõe a transferir todo ano para que países em desenvolvimento combatam as mudanças climáticas. Os 27 países condicionaram a fixação da cifra a um avanço das demais nações industrializadas.

O anúncio foi feito ontem, em Bruxelas, no encerramento da reunião de cúpula do Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e de governo do bloco. "Nós chegamos a um acordo e encontramos uma posição forte", reiterou o primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeld, que responde pela presidência do grupo neste semestre. Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso foi na mesma linha. "É um importante ponto de ruptura. Agora podemos dizer que nós, europeus, fizemos nosso trabalho. Nós, europeus, estamos prontos para Copenhague."

O discurso não foi bem aceito no meio político nem entre ambientalistas europeus. Isso porque a UE anunciou que "concorda" que os países industrializados devem transferir 100 bilhões (R$ 258 bilhões) por ano até 2020 aos menos desenvolvidos, montante que deve financiar projetos de adaptação e de mitigação de mudanças climáticas. Desse valor, entre 22 bilhões e 50 bilhões (de R$ 57 bilhões a R$ 129 bilhões) deverão ser financiados pelos governos e o restante pela iniciativa privada, por meio de mecanismos como os créditos de carbono.

Mas a UE decidiu não revelar o tamanho da sua contribuição. Nos bastidores, sabe-se que Bruxelas propõe cerca de 15 bilhões por ano até 2020, mas a cifra não foi oficializada.

O argumento dos líderes europeus é de que se trata de uma "tática de negociação" defendida pela Alemanha, com apoio discreto da França e da Itália, uma posição contrária à do Reino Unido, da Dinamarca, da Suécia e da Bélgica. "Será muito importante esperar pela reunião de Washington e ver o que o presidente Obama vai apresentar. Também será importante saber o que Austrália, Japão e Canadá vão oferecer", disse Durão Barroso. Na quinta-feira à noite, a chanceler alemã, Angela Merkel, já havia sido taxativa sobre a posição de seu país: "Nós vinculamos nosso engajamento ao fato de que outros países tomem o engajamento semelhante."

A tática de manter segredo foi criticada por ambientalistas. "Em vez de fazer bloco contra a China e os Estados Unidos, os europeus mostraram suas divergências sobre os financiamentos necessários", disse ontem a ONG WWF. "O Conselho Europeu dos chefes de Estado era a última chance para a Europa adotar uma estratégia comum de negociações antes de se encontrar com os pesos pesados nas negociações de Barcelona", lamentou o órgão, citando a última rodada de negociações antes de Copenhague.

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