UE pede corte de 50% na emissão de CO2 até 2050

A União Europeia (UE) encorajou hoje líderes do G-8 (sete países mais industrializados e a Rússia) a reduzirem pela metade as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2050, com as economias desenvolvidas fazendo os maiores esforços. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, afirmou hoje, em L''Áquila, na Itália, que os países mais ricos devem cortar suas emissões em 80%, mas que as nações me desenvolvimento também devem fazer sua parte. "As economias desenvolvidas devem assumir a liderança, mas isso não será suficiente", disse. "Economias emergentes onde as emissões de gases poluentes está crescendo também devem se juntar ao esforço."

DEISE VIEIRA, Agencia Estado

08 de julho de 2009 | 12h22

Barroso afirmou que a UE também espera que o G-8 entre em acordo sobre um valor de referência de 2 graus centigrados como o aumento máximo permitido na temperatura global. Até agora não houve consenso internacional sobre isso. Nenhuma das maiores economias do mundo, incluindo Estados Unidos, Japão e UE, concordou até agora em reduzir suas emissões de carbono entre 25% e 40% até 2020, um esforço que cientistas da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmam ser necessário para evitar um aumento nos níveis do oceano e problemas climáticos catastróficos.

Negociadores europeus e uma fonte próxima ao comunicado que será divulgado após o encontro de amanhã do G-8 em L''Áquila afirmaram que os líderes do Fórum das Maiores Economias sobre Energia e Clima devem eliminar as metas numéricas de emissão de gases de efeito estufa do documento. Porém, eles devem pedir que a Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontecerá em dezembro na Dinamarca, estabeleça limites rígidos de emissão.

Países em desenvolvimento, como China e Índia, afirmam que nações industrializadas devem se comprometer com as maiores reduções de emissões quando se encontrarem em Copenhagen para a discussão de um novo pacto de mudança climática. O Fórum das Maiores Economias é um de uma série de encontros planejados durante o encontro do G-8. O fórum é composto por membros do G-8, do G-5 (África do Sul, Brasil, China, Índia e México), Austrália, Coreia do Sul, Dinamarca, Indonésia e representantes da Organização Mundial do Comércio (OMC).

EUA

Falando ao lado de Barroso, o primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, que está na presidência rotatória da UE, afirmou estar contente com as novas atitudes da administração norte-americana em relação a questões ambientais. "Estamos encorajados pela nova abordagem do presidente Barack Obama, não podemos ser bem-sucedidos sem os EUA", disse Reinfeldt. Segundo ele, o ano de 1990 deve ser o ano base para medir os cortes nas emissões, e 2020 um período intermediário para checar o progresso.

Os EUA não estabeleceram nenhuma meta de redução de emissões até agora, mas descartou recentemente um corte de 40% abaixo dos níveis de 1990. "A maioria dos políticos não estará no poder até 2050, por isso as metas de médio prazo são muito importantes", acrescentou Reinfeldt.

Ao dizer que o mundo precisa aumentar os esforços no combate à crise econômica, o primeiro-ministro sueco afirmou que é possível estimular a economia de uma forma que não agrida o meio ambiente. "Podemos mostrar que é possível lidar com mudança climática e aquecimento global ao mesmo tempo." As informações são da Dow Jones.

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