UE se propõe a retomar relações com Cuba

Bloco congelou relações em 2003; comissário de Direitos Humanos irá ao país.

Marcia Bizzotto, BBC

19 Fevereiro 2008 | 12h55

A União Européia (UE) disse nesta terça-feira que está disposta a retomar relações com Cuba depois do anúncio de Fidel de que não voltará a governar o país."Reiteramos nossa disposição para estabelecer um diálogo político construtivo com Cuba com vistas a atingir os objetivos da posição comum da UE", afirmou em um comunicado o comissário europeu dos Direitos Humanos, Luis Michel.Estabelecida em 1996, a chamada "posição comum" européia tem como objetivos "encorajar um processo pacífico de transição a uma democracia plural, o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais, além da recuperação sustentável e a melhoria do nível de vida da população cubana", segundo o porta-voz do comissário, John Clancy.A UE congelou relações diplomáticas com Cuba em 2003, em protesto contra a condenação a até 28 anos de um grupo de 75 dissidentes.Apesar de os europeus terem suspendido todas as sanções contra o governo cubano em 2005, Castro não aceitou a oferta de Bruxelas para um diálogo político e condicionou o restabelecimento das relações bilaterais ao fim da "posição comum".Luis Michel irá a Cuba nos dias 6 e 7 de março, mas ainda não está definido se poderá se reunir com Fidel Castro.FuturoPor sua parte, o chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, disse esperar que a renúncia de Fidel Castro abra caminho para o início de uma "transição (política) pacífica e rápida", que seria "favorável à ilha e aos cubanos"."Toda decisão na direção de um processo de transição democrática e pacífica deve nos alegrar", afirmou.No entanto, Solana disse que "qualquer análise detalhada seria prematura" neste momento.O líder do Partido Socialista Europeu, Martin Schulz, disse acreditar que a transferência de poder de Castro para seu irmão Raúl não bloquearia um possível processo de transição."É um equívoco pensar que Raúl segue 100% a mesma linha que seu irmão", afirmou. "A questão é saber se o anúncio (de Castro) de não aceitar o cargo de Presidente do Conselho de Estado significa que ele estará completamente fora do jogo político. Eu acredito que não", Schulz avalia.Para o direitista Partido Popular Europeu (PPE), o fim da era Castro é "o começo do fim dessa ditadura comunista, uma das últimas no mundo, instalada em Cuba há quase um século".Em um comunicado assinado pelo deputado francês Joseph Daul, o PPE disse acreditar que a vida da população cubana melhorará rapidamente "uma vez que a ilha volte à democracia e à economia de mercado".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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