UE tem de prover mais recursos para resgates no Mediterrâneo, diz Anistia

Países da União Europeia têm de destinar “consideráveis" recursos para resgates de imigrantes no Mar Mediterrâneo antes que a Itália possa encerrar sua própria missão, caso contrário muitas vidas serão perdidas, disse o grupo de direitos humanos Anistia Internacional nesta terça-feira. 

REUTERS

30 de setembro de 2014 | 10h04

A guerra civil na Síria, o recrutamento militar forçado na Eritreia e o colapso da ordem na Líbia estão levando um número recorde de refugiados e imigrantes a tentar fugir pelo Mediterrâneo em direção à Europa, frequentemente em barcos improvisados. Muitos se afogam durante a tentativa. 

A Itália tem repetidamente pedido mais ajuda da UE para lidar com esse tipo de emergência, à medida que planeja gradualmente desativar a missão de busca e resgate Mare Nostrum (Nosso Mar, em italiano), a qual salvou mais de 90 mil vidas no ano passado. 

“O que não está claro é que caso a Itália decida significativamente reduzir ou até mesmo interromper a Mare Nostrum antes de haver uma operação de escala comparável em seu lugar, muitas vidas mais serão perdidas no mar”, disse a Anistia em uma relatório intitulado “Vidas à deriva: Refugiados e migrantes em perigo no Mediterrâneo”. 

Em agosto, a Comissão Europeia disse que sua agência de controle de fronteira Frontex reforçaria a missão na Itália, com custo de cerca de 9 milhões de euros (11,4 milhões de dólares) por mês para as operações, mas Estados-membros têm sido lentos em se comprometer com recursos ou embarcações. 

A Anistia disse que a Frontex precisaria de mais recursos e de uma claro mandato de busca e resgate antes que pudesse substituir a Mare Nostrum. 

Um total de 3.072 imigrantes, cifra recorde, morreram afogados tentando cruzar o Mediterrâneo em barcos improvisados até agora agora neste ano, ante cerca de 2.360 em 2013, disse a Organização Internacional para as Migrações na segunda-feira.

A Marinha da Itália tem patrulhado as águas entre a África e a Sicília desde outubro do ano passando, quando 366 pessoas se afogaram após seu barco ter virado a apenas uma milha da ilha italiana de Lampedusa. 

A tragédia atraiu atenção da mídia internacional e levou o papa Francisco a pedir mais atenção global aos problemas dos imigrantes. 

No relatório, apresentado para o Parlamento Europeu, a Anistia pediu que a UE mudasse sua política de asilo, que põe o ônus sobre os países de fronteira mais próxima, como Itália e Malta.

(Por Adrian Croft e Francesco Guarascio)

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