UFPR busca liberar prédio invadido por estudantes

A Procuradoria da República junto à Universidade Federal do Paraná (UFPR) entrou hoje com um pedido de reintegração de posse do prédio da reitoria, que foi invadido e teve as portas bloqueadas por alguns estudantes desde ontem. Os estudantes não permitem a entrada de ninguém alheio ao movimento. Eles protestam contra a possível adesão da UFPR ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), proposto pelo governo federal.De acordo com os estudantes, mais de 100 pessoas estão dentro do prédio, mas o reitor Carlos Augusto Moreira Júnior afirmou que são apenas 34 e nem todos estudantes da UFPR. A Procuradoria, que funciona no prédio interditado, decidiu entrar com o pedido de reintegração de posse em razão de haver alguns processos que podem perder prazos legais. Além disso, a Pró-Reitoria de Planejamento, Administração e Finanças precisa dar andamento ao concurso para contratação de 180 professores, com prazo estipulado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).Uma das coordenadoras da ocupação, Alexandra Bandoli, disse que o grupo somente sairá da reitoria se tiver o compromisso do reitor de que a adesão ao Reuni será feita por plebiscito e com a utilização do voto universal. Já o reitor acentuou que o plano ainda está em processo de discussão, mas disse que não é possível aceitar a proposta do grupo invasor, porque na universidade há 22 mil estudantes, 3,5 mil servidores e 2 mil professores. Ele propõe que se use o plebiscito paritário, com peso de um terço para cada categoria.Moreira Jr. convocou o Conselho Universitário para uma discussão não deliberativa do Reuni na próxima terça-feira. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) condenou a invasão da reitoria. A entidade defende a prorrogação dos prazos para adesão ao programa, dando mais tempo para a discussão. O Reuni visa aumentar o número de vagas nas universidades, reduzir a evasão, além de promover maior interação com o ensino básico, profissional e tecnológico. As universidades receberiam mais recursos, dependendo do cumprimento de algumas metas, entre elas, a diplomação de pelo menos 90% dos estudantes que ingressam e a relação de 18 alunos por professor. "O Reuni submete a universidade às metas do governo, o que fere a autonomia, por isso é um programa inconstitucional", afirmou Bandoli.

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

19 de outubro de 2007 | 18h00

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