Última Ceia ocorreu um dia antes, diz estudo

A Última Ceia foi provavelmente a penúltima ceia da vida de Jesus, concluiu um pesquisador britânico que usou antigos calendários e dados astrológicos para reformular a cronologia do que os cristãos conhecem como a Semana Santa.

Mitchell Landsberg, Los Angeles Times, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2011 | 00h00

Colin Humphreys, um cientista que já havia vasculhado o Êxodo do Antigo Testamento, acredita que a Quinta-Feira Santa - o dia em que, segundo a tradição, Jesus reuniu os discípulos para a ceia - foi uma quarta-feira.

O seu livro, The Mystery of the Last Supper ("O mistério da última ceia", em tradução livre), foi publicado na última quinta, dia que muitos cristãos observam como um dos mais santos do ano. "A Última Ceia aconteceu na quarta-feira, 1.º de abril de 33 d.C., e a crucifixão na sexta-feira, 3 de abril de 33 d.C.", diz o professor de ciência dos materiais em Cambridge.

Humphreys acredita que sua pesquisa não só estabelece definitivamente as datas, como soluciona um aparente conflito nos relatos do evangelho.

Para chegar à sua conclusão, ele analisou um calendário antigo, que o povo hebreu usava desde o ano 3.000 a.C., e havia sido em grande parte - mas não inteiramente - abandonado na época em que Jesus viveu. Humphreys também convidou um astrofísico, Graeme Waddington, da Universidade de Oxford, para ajudá-lo a calcular como seria o calendário à época da morte de Jesus. O que o astrólogo descobriu foi que a Páscoa judaica teria começado na noite da quarta-feira do ano 33. Por uma série de razões, ele acredita que Jesus usou aquele calendário.

"Fiquei surpreso pelo fato de todos os evangelhos concordarem perfeitamente", disse Humphreys. "É notável como é possível fazê-los coincidir."

O pesquisador acredita que provavelmente Jesus estava na prisão, na quinta-feira, e sua "última ceia", de fato, foi a comida da prisão. "Não acho que ele tenha tido uma última ceia", comentou.

Polêmica. O livro de Humphreys provavelmente desencadeará um tumulto entre os estudiosos bíblicos, quer chegue a modificar a visão predominante quer não.

"Acho realmente fascinante que ele tenha recorrido à astronomia, a calendários antigos e a outras contribuições fora do campo dos estudos bíblicos", disse Paul Anderson, um professor de estudos bíblicos da George Fox University, em Newberg, Oregon. Anderson fez a apresentação do livro de Humphreys antes da publicação, Entretanto, afirmou: "Os estudiosos não concordarão com muitas de suas suposições".

Humphreys disse que recebeu críticas muito favoráveis de estudiosos da Bíblia, mesmo que eles não "concordem com cada palavra", e, como cientista e cristão, afirmou esperar que seus esforços contribuam para o diálogo entre ciência e religião. /TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.