Último Fusca está à espera de um dono

Amanhã faz um ano que o último Fusca produzido no mundo deixou a fábrica da Volkswagen em Puebla, no México. Uma unidade do ?Última Edición?, a série especial que marcou o fim de um dos maiores sucessos da indústria automobilística, está à venda numa concessionária na zona leste da capital (11 - 6190.8531) por nada menos que R$ 100 mil. O valor é quase duas vezes e meia maior que o preço de US$ 13,5 mil (cerca de R$ 41,5 mil) pedido pelas 15 unidades da versão importadas pela Volkswagen no final do ano passado. Segundo Eduardo Mello, encarregado do setor de importados da revenda, o Fusca bege pertence a um colecionador paulistano que nem sequer retirou o modelo da loja: ?Esse cliente foi o primeiro da lista de interessados e ficou com uma das últimas unidades que a montadora trouxe. Logo depois que o modelo chegou à loja, ele resolveu vendê-lo?. Mello afirma que o colecionador já recebeu uma proposta de R$ 75 mil pelo Fusca mas não aceitou. O carro também pode ser adquirido a prazo, com entrada de R$ 10 mil mais 36 parcelas de R$ 4.227,28 (taxa mensal de 3,63%). Poucas novidades ? Embora seja um ícone no mundo do automóvel, o ?besouro? não mudou quase nada em seis décadas de produção. O Última Edición, que teve apenas 3 mil unidades fabricadas, foi inspirado no modelo dos anos 60. Diferentemente do modelo produzido no Brasil entre 1959 e 1986 e depois de 1993 a 1996, essa versão tem quatro alto-falantes, os piscas dianteiros migraram dos grandes pára-lamas para as extremidades dos pára-choques cromados, que também ficaram mais largos, e o painel de instrumentos, com detalhes na cor da carroceria, tem ?grades? ao redor do único mostrador central redondo, que acomoda velocímetro e indicadores do nível de combustível e do acionamento das setas.Os botões do pisca-alerta e do acendimento dos faróis ficam à direita do painel e a tampa do porta-luvas tem uma plaqueta comemorativa alusiva à edição especial. Os cintos de segurança dianteiros são de três pontos e os traseiros, subabdominais. Os bancos são revestidos de tecido escuro, o assoalho é acarpetado e o acabamento do teto, com muitas rebarbas aparentes, é de material plástico estofado na cor cinza.O carro também tem janelas traseiras (fixas) e vidro traseiro maiores que os dos modelos produzidos aqui, além de quebra-ventos inclinados e calotas cromadas. Entre as curiosidades, destacam-se a alavanca de abertura do porta-malas, que fica no interior do porta-luvas, o sistema de alarme, cujo acionamento é feito por uma chave na parte externa (na lateral esquerda, entre o pára-lama dianteiro e a porta), e o emblema de Wolfsburg, cidade onde fica a matriz da VW que projetou o ?besouro?, no capô.O motor é nosso velho conhecido: boxer de quatro cilindros e 1,6 litro que rende 46 cv. Ele tem injeção eletrônica e catalisador ? que fez com que a saia traseira fosse alongada. O carro chega à máxima de 127 km/h, segundo a VW. O cano de escape, também cromado, conta com uma única saída.Apesar de zero-km, Autos teve a oportunidade de ?estrear? o modelo, rodando pelas ruas da Vila Carrão, onde fica a loja. O câmbio de quatro marchas tem engates imprecisos, sobretudo a ré. A aceleração suave não instiga a velocidade e o ruído do motor invade o interior do carro. A suspensão transmite as imperfeições do solo para a carroceria, que range bastante, e para o volante, que, aliás, esterça de forma reduzida. Mesmo sendo ?duro?, o pedal de freio transmite segurança ao ser acionado, embora não tenhamos ultrapassado os 50 km/h. O carro faz 13,9 km/litro em uso misto (urbano e rodoviário), de acordo com o manual do proprietário, e o tanque de gasolina comporta 40 litros.

Agencia Estado,

29 de julho de 2004 | 13h36

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