Um brinde com Maria João de Almeida A jovem guarda vinícola portuguesa

Que Portugal produz bons vinhos, já se sabe, e tudo de deve à evolução que se fez sentir no mundo do vinho nos últimos anos. Muitos foram os enólogos que durante a década de 90 foram estudar lá fora e no regresso às origens trouxeram seus conhecimentos e técnicas renovadas para a produção de vinho no país. A evolução dos equipamentos na adega também ajudou. E até mesmo as escolas de agronomia estão hoje mais preparadas para ensinar os alunos do que no passado.

O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2012 | 03h13

Se por um lado Portugal hoje recebe elogios a seu trabalho, por outro, deveria continuar a trabalhar para divulgar sangue novo que ofereça ao mercado novidades e outras filosofias de vinho aos consumidores. Portugal tem um pouco daquela mania de recordar o que conquistou e muitas vezes se esquece de continuar a conquistar. E no vinho, há novos valores que já estão a fazer nome, mas de quem quase não se fala porque a aposta segura são aqueles que já têm nome no mercado. Mas é nesses jovens que está o futuro do vinho português.

Por saber que têm potencial e que seus vinhos já estão a dar que falar, seis jovens enólogos de diferentes regiões do país uniram-se para formar os Young Winemakers, cada um com a sua marca de vinho: Pedro Barbosa (Clip); Rita Marques (Conceito); Diogo Campilho e Pedro Pinhão (Hobby), Luís Patrão (Vadio) e João Maria Cabral (Camaleão).

O grupo associou-se no final de 2011, num projeto de promoção comum dos seus vinhos. A ideia dessa associação foi aproveitar as sinergias entre os vários membros do grupo em eventos de promoção, facilitando ações comerciais. "Na prática, há uma sólida amizade que une os elementos do grupo e a coincidência de, em conjunto, cobrirem uma parte significativa das mais importantes regiões vitícolas de Portugal", explica Diogo Campilho. Ele e Pedro Pinhão já são conhecidos pelos vinhos da Quinta da Lagoalva (Tejo) e por outras consultorias em várias regiões do país, especialmente no Alentejo. "Esses projetos pessoais têm dimensões diferentes e estão em diferentes fases de crescimento. Ao apresentar uma frente comum, com uma imagem própria e, de certa forma, pouco conformada, para não dizer irreverente, conseguem-se vários dos objetivos, nomeadamente de visibilidade, de partilha de custos, de efeitos aditivos e multiplicativos na abordagem aos canais de distribuição, tanto nacional como internacional", afirma ainda Campillo.

Pedro Barbosa, que é técnico de viticultura na Quinta do Vale Meão, no Douro, apostou nas vinhas de família na região dos Vinhos Verdes, em Marco de Canavezes, e assim nasceu o Clip Loureiro 2011, um branco saboroso e muito fresco. No Douro, Rita Marques dá cartas com os seus vinhos Conceito e Contraste, brancos e tintos, provenientes de uvas familiares durienses, não muito longe da Meda. Seu talento já a levou além-fronteiras: também faz vinho na Nova Zelândia, em completo contraciclo com as vindimas lusas.

Já Luís Patrão, que trabalha por terras quentes (é o braço direito do enólogo da Herdade do Esporão, no Alentejo) viu nas vinhas de família, em Vilarinho do Bairro, na Bairrada, uma oportunidade para fazer vinhos de outro estilo - um branco, um tinto e um espumante - que se destinam essencialmente a exportação. Destaca-se aqui o espumante, de uvas Bical e Cercial, oriundas de vinhas com mais de 30 anos. Por último, João Cabral de Almeida, discípulo do enólogo Anselmo Mendes, é o responsável por um vinho muito original, produzido em parceria com um produtor na região de Lisboa com a casta Sauvignon Blanc. Chama-se Camaleão e no rótulo tem estampada a imagem do réptil, que muda de cor consoante a temperatura. Ou seja, quando a garrafa é colocada no frigorífico ou no gelo, ao atingir os 8° a 11° (a temperatura ideal para o vinho ser servido), a imagem do camaleão passa de verde a azul, já que o frio atua na tinta térmica utilizada no rótulo.

São esses alguns dos jovens enólogos que já estão a mexer-se, a contornar a malfadada crise de que tanto se fala, e a alegrar o mercado do vinho. Resta saber que outras novidades nos trarão no futuro. Vão ser boas, de certeza.

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