Um brinde com Maria João de Almeida

Um brinde com Maria João de Almeida

Vinhos do Ribatejo (que hoje é Tejo)

04 Janeiro 2012 | 19h45

O resultado são vinhos jovens, frescos e modernos, um perfil que agradou e está a conquistar cada vez mais o consumidor nacional e internacional.

A região do Ribatejo (atualmente chamada de Tejo) já teve conotação ruim no passado. É bom trabalhar hoje no Tejo?

O Tejo tem tanta capacidade e potencial como todas as outras regiões de Portugal. Prova disso é o salto qualitativo dado nos últimos anos. Ainda existe um grande trabalho a ser feito na região e isso é que torna apaixonante e estimulante trabalhar no Tejo.

O que você pensa da mudança de nome da região do Ribatejo para Tejo?

A mudança pode ter sido uma boa decisão de marketing numa altura em que se começa a falar mais da região.

Mas a meu ver essa mudança só tem efeito se houver também uma mudança a médio prazo na maneira de trabalhar dos vários produtores que se reflita principalmente na qualidade do produto final e no seu escoamento.

Você estudou fora de Portugal e passou por várias adegas internacionais de renome, especialmente no Novo Mundo. Essas experiências se refletem hoje nos seus vinhos?

Sem dúvida que sim. O que mais me marcou foi a passagem pela Nova Zelândia e pelo Chile. Foram experiências não só de enologia, como também de viticultura, que influenciaram minha maneira de trabalhar em Vale d’Algares e se refletiram no estilo dos vinhos.

Inclusive foi dessas viagens que surgiu a gama Vale d’Algares "D" Tinto (Syrah, Petit Verdot e Viognier) e Branco (Alvarinho) que não obedece a nenhum critério comercial, tendo como objetivo apenas a reflexão e expressão das minhas experiências num número limitado de garrafas.

O que pensa que será o futuro dos vinhos portugueses?

O futuro passa cada vez mais pela internacionalização. Os produtores terão de se adaptar às novas realidades e tendências do mercado e apostar na divulgação e promoção conjunta. Crescer sozinho é muito mais difícil do que crescer em conjunto. No mercado externo teremos mais força se, em vez de nos promovermos só a nós, promovermos primeiro uma região e um país. Temos como bom exemplo a região do Douro...

O que falta realmente para Portugal se afirmar no mercado internacional?

Nossa fragmentação e diversidade em termos de regiões e castas é fantástica e única para trabalhar e permite-nos ter uma panóplia enorme de vinhos, todos diferentes. Mas, apesar de ser fantástica, ela é também o fator que mais nos causa dificuldades lá fora, uma vez que torna tudo muito confuso na cabeça do consumidor internacional.

Se a comunicação e promoção dos nossos vinhos for cada vez mais uniforme, será muito mais fácil conquistar o mercado internacional.

Quais são as castas portuguesas que você mais aprecia?

Nas tintas, a Touriga Nacional. Nas brancas, a Alvarinho, casta que praticamente faz parte de todos os vinhos de Vale d’Algares e é uma casta única em termos de longevidade e de adaptação, assim como de singularidade das suas características aromáticas.

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