Um descobridor dos caminhos da canção

Intuitivo e sentimental, o compositor e violonista Guinga mostra temas inéditos acompanhado por talentoso quinteto de metais

Lucas Nobile, O Estadao de S.Paulo

20 Fevereiro 2010 | 00h00

Depois de 8 de dezembro de 1994, com a morte de Tom Jobim, e de 6 de agosto de 2006, com o adeus de Moacir Santos, a música brasileira ficou órfã de seus maiores revolucionários no campo popular. Parcialmente, pois o maior inovador do cancioneiro nacional da atualidade, em termos de composição, continua vivo, e na ativa. Dando início às comemorações de seus 60 anos (completados no dia 10 de junho), Guinga se apresenta hoje e amanhã, no Sesc Pompeia, acompanhado por uma formação inédita em seus shows.

Pela primeira vez ele divide o palco com o grupo Art Metal Quinteto, formado por Jessé Sadoc (trompete), David Alves (trompete), Antonio Augusto (trompa), Marco Della Fávera (trombone) e Eliezer Rodrigues (tuba). O quinteto, formado há 15 anos, já havia participado do último disco de inéditas de Guinga, Casa de Villa, interpretando o tema Villalobiana, do compositor e violonista nascido em Madureira.

A ligação dele com o grupo se deu por meio de Jessé Sadoc, que já o acompanhara em shows e álbuns anteriores. Antes de embarcar para os Estados Unidos, o trompetista pediu a Guinga que lhe separasse algumas de suas composições que ele faria arranjos para o quinteto. As escolhidas, que serão interpretadas por todos, foram Sete Estrelas e Canibaile (parcerias com Aldir Blanc), Cheio de Dedos e Par Constante. "O Jessé é um dos maiores músicos do País hoje, é um monstrinho. Tenho uma admiração profunda por ele. Não vi como ficaram os arranjos, vou ver na passagem de som com eles", diz Guinga.

Na parte em que estiver sozinho no palco, o Art Metal apresentará músicas de seu repertório, como a brejeira O Bom Filho à Casa Torna (Bonfiglio de Oliveira) e Dança Brasileira (Camargo Guarnieri).

Em duo com Jessé Sadoc, Guinga mostrará mais alguns números, ainda não definidos. "Nunca sigo um roteiro, só quando vou me apresentar com alguma orquestra", explica Guinga.

Ele também terá seu momento-solo, quando cantará algumas de suas composições mais conhecidas, como Cine Baronesa, Catavento e Girassol (ambas com Aldir Blanc) e Senhorinha (com Paulo César Pinheiro).

O público ainda poderá ouvir as inéditas Anjo de Candura e Mestre de Obras, choro composto em homenagem ao luthier Lineu Bravo, que fez o violão de Guinga. "A maneira mais sincera para demonstrar minha gratidão pelo Lineu foi compondo uma música para ele."

Bela oportunidade para o público brasileiro comprovar ao vivo o porquê de afirmações feitas anteriormente no exterior sobre Guinga, como "sua música não precisa de tradução, ela me diz tudo o que ele quer dizer", de Michel Legrand, e "tive vontade de trocar meu universo pelo dele", do gigante espanhol Paco de Lucia.

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