Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Um direto no fígado

De um lado, uma das iguarias mais famosas da história; de outro, defensores dos direitos dos animais argumentando que sua produção causa sofrimento nas aves envolvidas. O Paladar traz os dois lados à mesa para debater o foie gras

José Orenstein, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2013 | 02h21

Na semana passada, o projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de foie gras foi aprovado em primeira votação pela Câmara Municipal de São Paulo. E, em resposta ao avanço da lei, produtores da iguaria francesa e chefs de cozinha se articulam para rebater o projeto do vereador Laércio Benko, do Partido Humanista da Solidariedade (PHS). O vereador participa nesta quinta-feira, 10, às 17h, de debate na TV Estadão com o chef Julien Mercier, que escreveu artigo no Paladar no fim de agosto criticando o projeto de lei.

A Associação dos Profissionais de Cozinha (APC), presidida por Alex Atala, redigiu um manifesto contra o projeto de lei e o enviou a "uma autoridade". Segundo o diretor da entidade, Laurent Suaudeau, a APC prefere não tornar público o manifesto nem participar do debate. "Vamos fazer isso pela via jurídica", disse Laurent.

O argumento do vereador é que o foie gras é obtido por meio de um método cruel com patos e gansos, além de não trazer nenhum benefício à saúde humana. "Não tenho conhecimento técnico da questão e quero ouvir os especialistas. Mas sou contra o sofrimento dos animais e a gavagem", diz Benko.

Alexandre Amaral, engenheiro agrônomo que há 18 anos cria patos, é um dos que estão se mobilizando contra o projeto de lei. "Não adotamos sistema de engorda forçada. Trabalhamos com pato moulard - não com ganso. Essa ave não necessita da gavagem", diz. A gavagem é uma técnica milenar, desenvolvida na França, que força a alimentação do animal.

"É uma afronta por parte de um político querer enfiar goela abaixo esse projeto. Ficamos nas mãos de um indivíduo que pode pôr a perder 20 anos de trabalho, do dia para noite. O projeto nos pega de surpresa, somos uma minoria, mas temos nossa importância, geramos empregos", diz Alexandre. Ele afirma que 70% do que produz é vendido em São Paulo. Se a lei passar, terá de encerrar as atividades.

Há apenas mais dois produtores de foie gras em São Paulo e um em Santa Catarina. Lá, opera a Villa Germânia, que cria 5 mil patos e abate cerca de 500 para foie gras todo mês. Os empresários mostraram preocupação com a possibilidade de aprovação da lei, já que cerca de 70% da produção é vendida em São Paulo.

Para entrar em vigor, o projeto precisa ser aprovado em segunda votação e depois ser sancionado pelo prefeito. Antes disso, o vereador pretende convocar duas audiências públicas na Câmara, uma em outubro, outra em novembro, para discutir o tema com defensores dos direitos dos animais, chefs de cozinha e produtores de foie gras.

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