Um pouco mais de sal

"O senhor prefere ficar dentro ou fora?" A pergunta da gentil brigada do Éclat significa o seguinte: dentro é o salão, aconchegante e com decoração um tanto cheia de informações, com referência até à arte renascentista: fora, é uma espécie de deck, também fechado, ou talvez algo mais próximo de um gazebo, de frente para a rua, envidraçado e mais despojado. No conjunto de visitas à casa, eu preferi o segundo, apesar da TV ligada, felizmente sem som. E foi agradável.

Luiz Américo Camargo, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2012 | 02h09

O Éclat é um restaurante ainda novo, aberto por dois sócios iniciantes no ramo, comandado por uma chef igualmente jovem, Mariana Gilbertoni - que trabalhou no D.O.M. e passou por lugares como Mugaritz e El Celler de Can Roca, na Espanha, e Le Jardin des Sens e Plaza Athénée, entre outros. Sua cozinha, de perfil contemporâneo, mistura bases europeias a um sutil flerte com produtos brasileiros, resultando em bons pratos e em ideias interessantes, mas demandando também reparos.

No geral, fiz boas refeições, e gostei em especial do porcionamento dos pratos, na medida certa para um repasto completo. Onde pega? Num frequente "arrendondamento para baixo" do sal, o que chega a comprometer algumas receitas. Na seleção da matéria-prima, carente talvez de um pouco mais de rigor. E nas sobremesas, pouco empolgantes. Mas quero me ater particularmente a algumas das coisas que provei.

Os bolinhos de pirarucu (R$ 19) e os croquetes de javali (R$ 19) são muito bem fritos, com a particularidade de manter o sabor do recheio bastante perceptível, embora delicado. Já o ovo parfait (R$ 19) quase desaparece diante da espuma de feijão preto que o circunda. Dos tentáculos de polvo (R$ 23) com brócolis, mandioquinha e tomate confit, gostei particularmente da textura, da mordida, mais para firme.

Outra entrada que merece comentário: a terrine de foie gras (R$ 29) com chutney de bacuri tinha tudo para ser melhor. Foi quase. Uma leve adição de sal - quem sabe mais texturizado - na finalização do foie faria o prato subir para um outro degrau; o bacuri, por sua vez, empresta só acidez, ficando toda a doçura necessária à composição por conta de três gotas da redução de xerez.

Dos pratos, me diverti mais com a joue de boeuf (R$ 47), bochecha de boi cozida na cerveja com polenta, seguida pelo nhoque de batata-doce com ragu de costela (R$ 35). No caso do robalo assado em crosta de jamón (R$ 47), fiquei surpreso com a guarnição, uma ótima brandade de pupunha. Acho, portanto, que é uma casa de potencial. Com condições de sobressair num bairro - a Vila Nova Conceição - que, vamos exagerar, logo, logo vai ter densidade de restaurantes semelhante à do vizinho Itaim.

PS1: De novo, por que a TV? PS2: Terça é dia de feira na R. Marcos Lopes, o que dificulta o acesso mais óbvio, pela Hélio Pellegrino. PS3: O valet custa R$ 10. Faz tempo que eu não pago isso...

Por que este restaurante?

Por que é uma novidade.

Vale?

À la carte, do couvert à sobremesa, a conta fica em torno de R$ 100; o almoço executivo custa R$ 35. Vale arriscar.

Onde fica?

Éclat

R. Marcos Lopes, 180, V. N. Conceição, 2337-8810. 12h/15h e 19h/0h (sáb. 12h/0h e dom., 12h/16; fecha 2ª).

Cc.: todos

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