Um toque japonês

Jeito de morar. Arquiteta resgata detalhes da cultura oriental em projeto de apartamento no Brooklin

Julia Contier / REPORTAGEM e Zeca Wittner / FOTOS,

19 de dezembro de 2010 | 10h00

   

 

 

Ele vive no Brasil há seis anos. Mas, para não se sentir muito distante da terra onde nasceu, o empresário japonês Kentaro Inoue, de 38 anos, fez questão de ter em seu apartamento no Brooklin algumas características de casas do Japão, como um chão apropriado para andar descalço e um banheiro bem equipado. Além disso, Inoue queria que o imóvel fosse bem masculino e preparado para receber visitas vindas de Tóquio. Disposta a fazer uma imersão na cultura japonesa, a arquiteta Bethliss Vallini, de 30 anos, recebeu a planta de 155 m² e concebeu um projeto sob medida para o empresário.

 

 

Ainda no hall de entrada, logo na saída do elevador, o visitante é convidado a tirar os sapatos e colocá-los em um armário desenhado pela arquiteta. Para os pés descalços, o toque macio do piso de madeira cumaru ebanizada. "Para contrastar com esse piso preto, jogamos um forro de ripas aparentes no teto", explica Bethliss.

 

 

 

Ao longo do imóvel, o rigor monocromático, temperado aqui e ali por generosas superfícies de madeiras, e a quase ausência de divisórias denunciam o modo de viver nipônico. "Os japoneses têm essa tradição de fazer muito com pouco. Muito antes de ser conceituado, o minimalismo já era praticado por lá", diz a arquiteta.

 

 

 

O preto e a madeira também se juntam na escada que leva ao mezanino e da qual sai a mesa que divide o living da cozinha. A peça é como uma extensão de um dos degraus. "Essa grande mesa de madeira aproveita o vão que existia embaixo da escada e é propícia para os jantares de negócios."

 

 

 

 

 

Banho quente. Na melhor tradição japonesa, a área reservada ao banho é uma atração à parte. "Tomar banho no Japão é bastante peculiar e diferente daqui. Por exemplo, você tem de se lavar e se enxugar antes de entrar na banheira. Os japoneses gostam de tomar banho em água muito quente para relaxar, e geralmente à noite, antes de dormir", explica Inoue.

 

 

 

 

A primeira providência da arquiteta foi unir dois banheiros em um. Com o espaço amplo, a ducha fica separada da banheira, dentro do mesmo box. Assim como no resto do apartamento, o empresário fez questão de revestimentos naturais na área de banho. "Investir nesse tipo de material foi uma das premissas do projeto. Ele queria que o banheiro também fosse de madeira, mas como estraga muito fácil, optei pela ardósia", conta Bethliss.

 

 

 

 

No quarto principal, um tatame fica sobre um estrado de madeira, bem à moda japonesa.

 

A arquiteta ainda transformou um banheiro social em closet, cujas paredes foram revestidas com laminado de madeira. Para os hóspedes, a ideia foi criar um quarto com clima de hotel. Em vez de armário, foi instalado um varão para pendurar cabides e colocado um pequeno móvel para apoiar a mala.

 

"Esteticamente ficou menos pesado e mais prático para guardar as coisas", explica Bethliss.

 

 

 

 

 

Mas, para quem entra no apartamento, o que de cara chama a atenção é a paisagem que se tem do alto do 17º andar. "Esse foi um dos motivos que me fizeram comprar o imóvel. A vista é linda", diz Inoue. Não por acaso ele colocou na varanda uma rede que trouxe do Nordeste para relaxar depois do trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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