Um trabalho valioso e doce

Quando morava em Quilmes, na Argentina, Laila Zogbi sempre comeu marrom glacê. Nunca os preparou. Não precisava, achava castanhas glaceadas em todo canto e por poucos pesos. Veja também: Receita, passo a passo, de marrom glacê, de Laila ZogbiCom o limoncello até a nonna fica alegrinhaEncantos no vidro de azeiteEstrelinhas de manteigaAntes azedo, agora docePimenta de morder Ela é a cara do NatalNo Brasil, o alto custo inviabilizou o consumo. O jeito foi aprender a preparar o doce em casa. E há 20 anos começou a fazer marrom glacê para dar de presente aos amigos no Natal. Fez tanto sucesso que de agrado natalino o doce foi parar nas prateleiras de sua loja de alfajores, a Itati (tel. 3287-2840).Todos os anos, no fim de novembro a saga se repete. E lá vai ela procurar castanhas bem brilhantes, "sinal de que são novas". E depois é "só" descascar (esqueça as embaladas a vácuo), cozinhar, embrulhar, cozinhar mais um pouco e, cinco dias depois, está pronto. D. Laila ensina a adoçar a vida dos amigos neste Natal... Só a dos bons amigos.REGALO PARA POUCOS E BONSSó alguém muito querido merece ganhar este marrom glacê artesanal. Fazê-lo não é difícil, mas dá trabalho e demanda tempo e paciência de monge budista. Mais de uma hora para descascar as castanhas. E o pior estava por vir. Tirar a pele é um trabalho de formiguinha.Quis aumentar a produtividade e escaldei dez de uma vez. Deveria ter obedecido a d. Laila: "Três por vez. Senão a água esfria, e a pele não solta." As regras do bom texto que me perdoem, mas o clichê é inevitável. A pressa é, de fato, inimiga do marrom glacê. Entendi que aquela manhã não era mais minha, mas das castanhas. E só consegui tirar as peles quando a vasilhona de água quente deu lugar à vasilhinha. Tão "inha" que meu ímpeto de produtividade foi contido à força. Um pano de prato destruído depois (use um limpinho, mas ordinário), suspiro de alívio. O pior havia passado (Ok, roubei um pouco, não fiz o quilo todo).Depois disso, envolver uma por uma em gaze ficou fácil. Ainda mais contando com a piedade do marido solidário e da ajudante prestativa. Dias mais tarde, o marrom glacê saiu do casulo de tecido. O sabor e o aroma da calda me animaram. As castanhas? Bem, o miolo delas poderia ter ficado mais macio. Eis outro motivo para só presentear alguém querido: ele entenderá se seu marrom glacê não ficar perfeito e apreciará seu esforço. Se agir diferente, ano que vem dê um vale-CD.

Janaina Fidalgo,

10 de dezembro de 2009 | 12h54

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