Uma Itália escondida

Existe uma Itália perdida em São Paulo. Que não é a nação inventada pela cozinha cantineira - que na verdade é paulistana - nem a dos ristoranti de alta gastronomia. E que tampouco se encontra nas panelas dos jovens chefs que buscam atualizar a cucina usando preparações modernas. É um país de pratos despretensiosos, de sabores simples, cotidianos. Uma Itália atual, trazida por uma imigração mais recente. Não procure, portanto, nem folclore nem afetação em um endereço como o Marina di Vietri, um restaurante sem sofisticação aparente. Mas que proporciona pequenos luxos tais como, num almoço de sábado, ver o fornecedor de pescados entregando pela porta da frente um lote fresquíssimo de vôngole. Claro que pedi o molusco. E o espaguete ao vôngole (R$ 34), com molho picante, massa al dente, se confirmou como um dos melhores pratos da refeição. Nesta casa do napolitano Vincenzo Vitale existe um declarado orgulho especialmente pelas receitas com frutos do mar. Mas o lugar vai além. O ravióli de alcachofra (R$ 32) em manteiga e sálvia também estava muito bom, com sua massa mais grossa, porém leve, recheio delicado e molho corretamente espessado com a água do cozimento. Assim como ótima é a pastiera de grano (R$ 8), rústica e pouco doce. Mudemos agora do sul para o centro da Itália. Ainda que num outro estilo, o espírito do Café Toscano é o mesmo: o requinte não está nas instalações, mas sobre a mesa (que, diga-se, é de boteco). Cobrando R$ 30 (no fim de semana, o preço é de R$ 40), o cuoco florentino Alessandro Susini serve um almoço de ponta a ponta. Como a casa é também um empório, você é compelido a sentir fome, cercado por embutidos, doces, conservas. A maratona começa com antepastos variados, como abobrinha e pimentões grelhados, além de sardela, focaccia, tudo feito ali. Segue com uma salada e com o prato do dia (sempre mais de uma opção). É uma dose farta de comida e, quando percebi o que vinha pela frente, pedi uma meia porção. Pois o fettuccine Alfredo, feito com copiosas doses de manteiga e parmesão, é daquelas massas que exigem que se coma rápido, antes que esfrie - e a solidifique. Melhor ainda é o molho de linguiça calabresa, potente, equilibrado entre a pimenta e a erva-doce, servido com penne ou nhoque. De sobremesa, fui de torta della nona, com creme e amêndoas. Resumindo a viagem, não se trata de cozinha carregada nem de alta gastronomia. Mas de uma rápida incursão por uma Itália possível, acessível. Um remédio contra o tédio. MARINA DI VIETRI R. Miguel Calfat, 398, V. Olímpia, 2659-7824 12h/15h e 19h/23h (dom. só almoço, 12h/17h; fecha 2ª) Cartões: todos CAFÉ TOSCANO Av. Moema, 444, Moema, 5051-7914 12h/15h30 (sáb. e dom., até 16h30; 5ª e 6ª, 18h30/22h; fecha 2ª) Cartões: D, M e V

Luiz Américo Camargo,

02 Julho 2009 | 10h41

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