Silvestre Silva/AE
Silvestre Silva/AE

Uma selva só de castanheiras

Quem percorre a Amazônia e frequentemente vê na paisagem imensas castanheiras isoladas, sem resquícios de floresta ao redor - resultado da proibição do corte da árvore -, surpreende-se ao chegar a Itacoatiara, no Amazonas, e encontrar um castanhal com mais de 1 milhão de árvores.

Fernanda Yoneya / ITACOATIARA,

26 Outubro 2011 | 20h29

No pequeno município, a cerca de 200 km de Manaus, numa área de 4 mil hectares castanheiras de até 60 m de altura fazem parte de um projeto pioneiro de cultivo da Bertholletia excelsa no País, iniciado há quase 30 anos, na Fazenda Aruanã. Além de investir no cultivo da espécie, a empresa processa a castanha, rastreada do campo à embalagem.

"O Acre é o Estado que tem a melhor infraestrutura de extração, coleta e processamento, com comunidades extremamente bem organizadas", diz o agrônomo Gabriel Teixeira de Paula Neto, diretor técnico da fazenda. "Além do Amazonas e Acre, Amapá, Pará, Roraima e Rondônia também produzem. Mas a Bolívia é o maior processador e exportador de castanha-do-pará."

A Aruanã tem 1,38 milhão de castanheiras, mas só 380 mil são destinadas à produção - o restante tem como finalidade a reposição florestal. Com certificação orgânica, a Econut é vendida em latas com 60 unidades (em média R$ 45). "Assim como existe o extrativismo sustentável orgânico, há o cultivo sustentável orgânico. Foi nossa primeira certificação de castanha-do-pará orgânica", diz o supervisor de certificação Danilo Grapiuna Pereira.

No facão. As castanheiras florescem entre junho e novembro e os ouriços são coletados de dezembro a março. O processo de retirada da castanha do ouriço exige não apenas força, mas também extrema habilidade. Munidos de um facão, os funcionários encaixam o ouriço numa base de madeira e cortam a "tampa", como quem abre um coco verde para retirar a água. Mas o ouriço, além de mais duro, exige cuidado redobrado para que as castanhas não sejam danificadas durante o processo. Cada ouriço contém, em média, 20 castanhas.

Ainda com casca, são pré-selecionadas para eliminar as chochas e passam por uma pré-secagem de três horas em cilindro rotativo. Depois vem a classificação por tamanho e uma outra secagem, de pelo menos oito horas. Só então são descascadas manualmente, com golpes de facão, e submetidas à terceira e última secagem, por mais três horas.

Minucioso, o trabalho de retirada da película que envolve as castanhas é feito só por mulheres. Munidas de uma faca pequena e afiada, descascam até 500 unidades por dia.

A meta, segundo Ana Luiza Vergueiro, gerente de projetos do Instituto Excelsa, que promove o desenvolvimento sustentável da Amazônia por meio do plantio da castanheira e do palmito pupunha, é que a região consiga a Denominação de Origem Controlada (D.O.C.).

A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA FAZENDA ARUANÃ

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