Uma vida que vale por muitas

Teiiti Suzuki começou suas atividades em benefício da comunidade nipônica no Brasil na década de 40

Maíra Watanabe Falseti,

01 de dezembro de 2007 | 14h02

Ele lutou para desbloquear os bens dos imigrantes japoneses no pós-guerra - e, para isso, travou contato com o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas. E integrou a comissão para as comemorações dos 400 anos de São Paulo, em 1954. Ele promoveu o primeiro recenseamento da comunidade nipônica no País. E fundou o Centro de Estudos Japoneses da USP. Parece muita coisa para realizar em uma só vida, mas essas são apenas algumas das contribuições de Teiiti Suzuki, que chegou ao Brasil ainda adolescente e conseguiu fazer diferença no cotidiano de imigrantes e paulistanos.  - Na USP, o elo entre orientais e paulistanos- Uma tradução mais que especial A emoção da aventura trouxe Suzuki até aqui, aos 16 anos, em 1929. Gostou com tanto entusiasmo que conseguir fazer os pais e os três irmãos embarcarem com ele para o Brasil, no ano seguinte. As dificuldades foram muitas (veja no Álbum de Família). Mesmo assim, em 1934, ele já estava nos bancos da USP, estudando direito, ciências e letras. O poder de mobilizar colegas - como havia feito antes com a sua família - só crescia. Mas foi trabalhando na Tozan, uma das grandes empresas japonesas, que ele efetivamente iniciou as atividades em benefício da comunidade nipônica no Brasil. Década de 1940, tempos difíceis para quem tinha olhos puxados.  Com pouco acesso a informações, os japoneses não sabiam oficialmente se estavam ganhando ou perdendo a Segunda Guerra - Brasil e Japão lutaram em trincheiras opostas. Uns acreditavam no triunfo. Outros pensavam o oposto. Teiiti Suzuki não só fazia parte do grupo dos "derrotistas" quanto ajudou a criar, em 1947, uma comissão para desbloquear os bens dos imigrantes depois da guerra. Uma de suas funções era traduzir os acordos entre o embaixador japonês e Vargas. Para melhorar a relação da comunidade com os paulistanos, Suzuki e Kiyoshi Yamamoto decidiram integrar, em 1953, a comissão organizadora dos festejos do 4.° Centenário de São Paulo, no ano seguinte. Um dos projetos foi a criação da Sociedade Brasileira da Cultura Japonesa (Bunkyo), na Liberdade. "Ele tinha personalidade forte", lembra a filha dele, Tae Suzuki. "Fez tudo o que quis." Passada a comemoração, adotou outro projeto: fazer o recenseamento da colônia no Brasil. O trabalho terminou em 1964 e foi reunido em dois livros, publicados no Japão. Para concluí-lo, ele e outros integrantes da comissão muitas vezes gastavam dinheiro do próprio bolso. "Também tinha muitas doações de amigos, como jipe para enfrentar as estradas no Interior do Brasil", conta Tae. "Tudo foi feito com muito sacrifício." Em 1968, Teiiti foi convidado para ser professor de japonês na USP. Começava a surgir o Centro de Estudos Japoneses (Cejap). A unidade precisava de uma boa biblioteca - e não de uma qualquer. E hoje tem acervo respeitável, que leva o nome de Teiiti Suzuki, morto em 1996.  

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