UnB decide mudar sistema de seleção para cotistas

A Universidade de Brasília decidiu fazer alterações no seu sistema de seleção para alunos que se candidatam ao sistema de cotas para negros. A partir de agora, a universidade fará entrevistas com os alunos ao invés de usar fotos tiradas na hora da inscrição para o vestibular. Ao mesmo tempo, o candidato que não for considerado negro na hora da entrevista não poderá mais concorrer pelo sistema regular de vestibular naquele ano. A decisão foi tomada pela instituição para o sistema de seleção do final deste ano depois que, no último vestibular, um caso esdrúxulo chamou a atenção: irmãos gêmeos idênticos, Alex e Alan Teixeira da Cunha foram considerados de raça diferente pela UnB na inscrição. Alan foi aprovado como negro e Alex, como branco. O resultado foi revertido depois, quando Alex entrou com um recurso e uma banca decidiu que ele também era negro - mas isso só depois de os gêmeos terem virado quase celebridades nacionais por conta do caso. De acordo com o reitor da UnB, Timothy Mulholland, a idéia de fazer uma entrevista estava presente desde o primeiro processo de seleção com cotas para negros e indígenas. Mas, como já no primeiro vestibular houve mais de 4 mil inscrições no sistema, a proposta tornou-se inviável. A mudança agora fará com que os candidatos que se digam negros passem por entrevistas depois de terem feito o vestibular, mas antes de saírem os resultados. "Assim, em vez de fazermos milhares de entrevistas, teremos que fazer apenas algumas centenas", explica. A UnB irá selecionar os candidatos com melhores resultados, em um número equivalente a pelo menos o dobro do número de vagas reservadas para as cotas - 20% das oferecidas no vestibular. Através da entrevista, serão definidos se aqueles que estão nos primeiros lugares são realmente negros.

LISANDRA PARAGUASSÚ, Agencia Estado

03 de outubro de 2007 | 16h06

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