Unesco lança Ano Internacional da Terra destacando geociência

Órgão da ONU defendeu o uso das geociências pela humanidade, principalmente nos países pobres

Efe,

12 de fevereiro de 2008 | 13h00

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) defendeu nesta terça-feira, 12, pôr as geociências a serviço da humanidade, especialmente nas nações em desenvolvimento, ao lançar o Ano Internacional do Planeta Terra. "Estamos diante de uma encruzilhada na história da humanidade", disse o diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura.   Matsuura disse que ao incentivar os geocientistas a ajudar a prever catástrofes, não se pode "reagir de maneira eficaz às ameaças" do planeta sem a geociência. Em discurso para centenas de pessoas de diversos países e setores, o diretor-geral da Unesco ressaltou que problemas em assuntos como saúde, clima, águas subterrâneas e oceanos exigem uma atuação rápida.   Durante o lançamento, a Unesco e a União Internacional de Ciências Geológicas apresentaram ainda a Declaração de Paris - documento que pede a políticos, cientistas e empresários que utilizem os conhecimentos científicos disponíveis em benefício de "todas as comunidades do mundo, especialmente dos países em desenvolvimento".   O documento também defende a criação de um Centro Internacional de Pesquisa das Ciências da Terra, em prol do desenvolvimento sustentável, e o uso das ciências do espaço para vigiar as mudanças na estrutura do planeta.   A declaração pede ainda a reintrodução das geociências nos sistemas educacionais e uma melhora no acesso à informação e ao conhecimento científico. A Unesco lembrou que catástrofes como o tsunami que assolou o sudeste asiático em 2004 e que matou quase 250 mil pessoas poderiam ter sido evitadas com ferramentas adequadas, que muitas vezes não estão disponíveis nos países mais pobres.   Foi mostrado também um relatório publicado pelo Banco Mundial em 2004, que garantia um investimento de US$ 40 bilhões em medidas de prevenção e redução de riscos de catástrofes naturais nos anos 90, que teria reduzido pela metade o prejuízo final dos desastres, que foi de US$ 535 bilhões.   A União Internacional de Ciências Geológicas, co-organizadora do Ano Internacional do Planeta Terra, enfatizou por meio de seu presidente, Zhang Hongren, a importância de unir a comunidade científica, promover estudos científicos relevantes no mundo todo e fazer um "uso sábio dos materiais da Terra".   O secretário de Estado francês para Assuntos Europeus,Jean-Pierre Jouyet, assegurou em discurso que os desafios da mudança climática e do crescimento demográfico serão "prioridade" durante a presidência francesa da União Européia (UE), no segundo semestre de 2008. "Este é um momento de urgência ambiental e ecológica", afirmou Jouyet.   O lançamento do Ano Internacional do Planeta Terra, um dos objetivos da Cúpula do Milênio da ONU, propõe até quarta-feira 13, debates entre cientistas, políticos e estudantes para passar ao público a importância das geociências e atrair a atenção dos jovens para essas disciplinas.

Tudo o que sabemos sobre:
naturezaterraunescoano internacional

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.