União Européia restringe importação de carne brasileira

Produto só poderá entrar no bloco se tiver como origem abatedouros certificados.

Márcia Bizzoto*, BBC

19 de dezembro de 2007 | 19h15

A União Européia decidiu nesta quarta-feira restringir as importações de carne brasileira aos produtos provenientes de uma lista limitada de abatedouros a partir de 31 de janeiro.Segundo Nina Papadoulaki, porta-voz do comissário europeu de Saúde e Proteção ao Consumidor, Markos Kyprianou, a lista de fazendas aprovadas ainda será definida. A Comissão Européia (o braço executivo do bloco europeu) não tem estimativas de quantos abatedouros podem ser excluídos.Apenas os estabelecimentos que cumprem com todas as exigências européias para exportação serão aprovados, e a lista poderá ser revisada à medida que sejam comprovadas melhorias em algum abatedouro.A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) diz que a decisão da Comissão Européia "não altera substancialmente as normas vigentes atualmente"."A decisão da União Européia confirma a sanidade e a qualidade da carne brasileira e está muito longe de atender as pressões restritivas patrocinadas pelos interesses comerciais de alguns produtores da Irlanda e de regiões da Grã-Bretanha", diz um comunicado da Abiec.A decisão da União Européia foi tomada com base nas conclusões de uma inspeção realizada no país em novembro pelo Departamento de Alimentação e Veterinária (FVO, na sigla em inglês), responsável pelo controle sanitário no bloco.De acordo com Bruxelas, a missão detectou "uma série de graves e repetidas deficiências nos sistemas de saúde animal e rastreabilidade do Brasil".A principal deficiência apontada pelos técnicos europeus diz respeito à implementação do sistema brasileiro de rastreamento de gado, responsável por garantir que a carne enviada à Europa não seja proveniente de zonas proibidas de vender para o bloco.A União Européia exige que todos os animais destinados à exportação sejam incluídos nesse sistema.Bruxelas afirma que a criação da lista de abatedouros credenciados foi a melhor forma que encontrou para aumentar as restrições sobre a produção brasileira sem ter que recorrer a um embargo total, como pediam autoridades e produtores britânicos e irlandeses. A carne certificada até de 31 de janeiro poderá ser exportada até 15 de março de 2008.Atrás apenas da Rússia, a União Européia é o segundo maior mercado para a carne brasileira, sendo responsável pela importação de US$ 1,5 bilhão do produto em 2006.A União Européia também anunciou nesta quarta-feira que vai promover, a partir de agosto de 2008, a erradicação de 175 mil hectares de vinhedos em seu território.A iniciativa faz parte de uma polêmica reforma com a qual o bloco pretende melhorar a competitividade de seu setor vitivinícola frente aos chamados "vinhos do novo mundo". Os vinhos europeus enfrentam sua maior crise em decorrência do excesso de produção local e da popularização de vinhos procedentes principalmente do Chile, da Argentina, da Califórnia e da África do Sul.Bruxelas pretende convencer os produtores menos competitivos a abandonar o setor por meio de compensações financeiras, cujos valores serão definidos pelos governos nacionais. A reforma também simplifica as categorias de denominação de origem e indicação geográfica protegida nos rótulos e permite que todos os vinhos europeus indiquem a variedade e a safra da uva utilizada, uma característica até agora reservada aos vinhos de qualidade.A erradicação dos vinhedos deverá ser feita em três anos.Colaborou Denize Bacoccina, de BrasíliaBBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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