UniRio investiga fraude na Escola de Medicina

Cinco estudantes teriam usado números de matrículas de alunos desistentes para assistir às aulas; caso está sendo investigado pela Polícia Federal

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2012 | 03h03

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) identificou cinco pessoas que teriam usado irregularmente números de matrículas de outros alunos para frequentar as aulas da Escola de Medicina e Cirurgia. A Polícia Federal investiga o caso.

A principal suspeita é de que haja um esquema de venda de vagas na unidade. O reitor Luiz Pedro San Gil Jutuca informou que pretende verificar se o sistema de informática da instituição é vulnerável e se a fraude foi cometida em outros cursos (mais informações nesta página).

Os nomes dos cinco alunos sob suspeita - quatro mulheres e um homem - não constam de nenhuma lista de convocados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a única maneira de se matricular na UniRio.

Apesar disso, eles estavam relacionados nas listas de presenças dos professores e frequentando as aulas. De acordo com ofício enviado pela universidade à PF na quinta-feira, os cinco não têm registro de entrada na Escola de Medicina e usavam números de alunos que foram regularmente inscritos no ano passado pela instituição, mas que cancelaram suas matrículas.

O caso foi revelado ontem pelo O Globo. "Nunca vi nada parecido. Estamos todos chocados. É certo que algo irregular aconteceu. Não quero tecer nenhum juízo de valor. Espero que não tenha sido um colega, um servidor público como eu, um servidor dessa instituição", disse o reitor em entrevista ao Estado.

Jutuca informou que, apesar de o prazo para a conclusão das investigações ser amplo, vai cobrar pressa dos encarregados de apurar o caso. A previsão é de que o resultado da sindicância seja apresentado amanhã. "A urgência da questão que se apresenta requer que tenhamos uma conclusão o quanto antes."

Os alunos sob suspeita foram suspensos das aulas e convocados a prestar depoimento na comissão de sindicância a partir das 14 horas de hoje. A UniRio informou que ainda não conseguiu entrar em contato com nenhum deles, pois ninguém atende os telefones que constam de suas fichas. Também foram identificadas inconsistências nos endereços.

O caso começou a ser investigado no início do mês passado. De acordo com a UniRio, um relatório sobre evasão de matrículas apontou uma inexplicável redução no número de cancelamentos de 15 para 10. Ainda segundo o reitor, a diretora da escola de Medicina, Maria Lucia Pires, recebeu relatos de estudantes que desconfiavam da presença dos alunos sob suspeita em sala de aula. "Eles informaram que ninguém conhecia aquelas pessoas e que seus nomes não constavam de nenhuma das listas do Sisu (Sistema de Seleção Unificada)", disse o reitor.

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