Universidade federal investiga trote violento em PE

A quatro dias do início das aulas na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), localizada no município de Petrolina, no sertão de Pernambuco, o clima entre estudantes, professores e funcionários é tenso. O recente vazamento de um vídeo - publicado no Youtube - mostrando estudantes dos cursos de veterinária e zootecnia jogando baldes com fezes, sangue e urina de animais em calouros vem provocado críticas da comunidade local ao comando da instituição.

MONICA BERNARDES, Agência Estado

17 de fevereiro de 2011 | 17h51

Segundo representantes de entidades estudantis, os casos de trotes violentos já vinham sendo informados à reitoria da instituição há anos, "sem que medidas eficazes fossem adotadas". De acordo com o pró-reitor de ensino da Univasf, João Carlos Sedraz, as imagens seriam de um trote praticado entre os anos de 2007 e 2008 e "já estariam sendo investigados" pela procuradoria da universidade.

Para o pró-reitor, a "prova" do comprometimento da instituição com o combate aos trotes violentos foi o lançamento, na última segunda-feira, de uma campanha educativa para coibir este tipo de ação. "Preparamos cartazes e panfletos alertando sobre o assunto e mostrando inclusive que quem participa de trotes violentos pode sofrer sanções que vão desde uma advertência até a expulsão", destacou.

Ainda segundo Sedraz, desde 2008 - quando a Polícia Federal chegou a ser acionada em função de danos causados ao patrimônio da instituição durante um trote - a única forma permitida de recepção aos calouros dentro da Univasf é a que é organizada pela própria instituição. As atividades incluem doação de alimentos e de sangue.

Nas imagens publicadas no Youtube - e que chegaram ao conhecimento da reitoria através de uma denúncia anônima - os calouros são amarrados pelos veteranos e logo depois são "banhados" com a mistura de fluidos animais. As imagens, segundo a universidade, teriam sido feitas em uma área fora do campus.

A mãe de uma das supostas vítimas que aparece no vídeo, que preferiu não se identificar com receio de represálias dos agressores, confirmou que o trote aconteceu em 2008. "Ele pensou até em desistir do curso. De vez em quando ele encontra com um dos agressores nos corredores e tem muito medo, porque eles ameaçam mesmo. E agora, depois do vazamento destas imagens, ele não sabe se vai retornar, porque teme pela sua segurança", contou.

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