Universidade já teve caso de agressão

Episódio ocorreu em abril envolvendo estudantes da Uniban, onde jovem que usava vestido curto foi acuada

Flávia Tavares, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

O episódio das agressões a Geisy Arruda, a aluna perseguida no câmpus da Universidade Bandeirante (Uniban) de São Bernardo do Campo por usar um vestido curto, mobilizou as atenções durante a semana. Mas há um outro caso de violência contra alunos na mesma faculdade, ocorrido em abril deste ano, que também foi divulgado em vídeos no YouTube e mostra um ambiente de hostilidade entre os estudantes.

Durante uma série de protestos de alunos contra uma mudança no sistema de provas e aulas da faculdade, na noite de 2 de abril, a aluna A.S.N., de 30 anos, que cursava Educação Física havia dois meses, tentou se livrar da multidão. Havia acabado de entrar no curso e não queria se envolver em confusão.

Ela arrancou com seu Uno branco, que aparece nas imagens com dois cones de trânsito presos ao para-choque (veja sequência acima). Acusada de ter atingido uma outra aluna, A. deu ré. Mas logo se arrependeu quando os manifestantes, exaltados, partiram para cima dela, chutando e destruindo seu carro. "Eu não atropelei ninguém. Tanto que a investigação está rolando e essa suposta atropelada nunca apareceu", diz A.

O vidro que quebrou atingiu seu rosto e ela teve um corte no supercílio. Em seguida, A. foi arrancada de dentro do veículo e agredida com socos e pontapés, que lhe deixaram com duas costelas luxadas e vários hematomas pelo corpo. No vídeo da internet, é possível ouvir alguém na multidão: "Vão bater em mulher? Estão loucos?"

A. finalmente conseguiu se livrar dos agressores e partiu com seu carro amassado. Na manhã seguinte, registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher de São Bernardo. Largou a faculdade e deu início a um tratamento psicológico. "Fiquei totalmente abalada. Não tinha clima para voltar", explica.

Ela lembra que nos momentos da confusão não teve ajuda alguma dos seguranças da Uniban. "Eles se preocuparam em proteger o prédio dos vândalos. Mas os alunos não tiveram nenhuma proteção."

O marido de A. assumiu, nos dias seguintes, as conversas com a faculdade para resolver a situação da mulher. Segundo ele, que também não quis se identificar, teve encontros com o reitor e o coordenador pedagógico da Uniban do ABC. "Ouvi que a faculdade não poderia se responsabilizar por atos de alunos", conta, indignado. "E que aquele seria um ato isolado. Agora, com o caso da minissaia, fica provado que não é."

O casal é unânime ao dizer que o ambiente do câmpus de São Bernardo é muito hostil. E que a diretoria sempre argumentou que isso é "fruto da democracia da faculdade". "Eu tinha medo de sair sozinha à noite da aula. Aquilo parecia um arrastão, os alunos não têm cultura", lembra A.

Ela e seu marido também acreditam que houve omissão da diretoria no episódio de violência contra A., porque os protestos estavam acontecendo desde o dia anterior e o clima vinha esquentando. "As autoridades deveriam ter acionado a Polícia Militar para acompanhar as manifestações e evitar que isso acontecesse", diz o marido, que é policial. "É uma pena que alguém queira estudar e seja agredido dessa maneira."

Procurada ontem pela reportagem, a diretoria da Uniban não havia se manifestado até o fechamento desta edição.

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