Universidades pesquisam 'mitos' do amianto

O médico pneumologista Mário Terra Filho destacou que para, saber se uma pessoa foi contaminada pelo amianto, é preciso estudar em qual época o indivíduo foi exposto e por quanto tempo. ?As doenças são tipicamente detectadas em pessoas que trabalharam em mineração. A progressão da doença é lenta e, por isso, é difícil fazer a relação com o amianto?, ressaltou. De acordo com o médico, os primeiros sintomas - como falta de ar - aparecem após 15, 20 ou 30 anos, depois do contato do trabalhador com a fibra. Terra Filho também participa da elaboração de uma pesquisa que desvendará os "mitos" do amianto, realizada pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com as Universidades Federal de São Paulo (Unifesp) e Estadual de Campinas (Unicamp), patrocinada pelo Instituto Brasileiro de Crisotila (IBC), indústrias do setor, e duas universidades estrangeiras - uma canadense e outra inglesa.A pesquisa, com previsão de conclusão apenas em 2009, é realizada em São Paulo, Recife, Goiás, Rio e Bahia e avaliará a quantidade de fibra de amianto ocupacional e ambiental. Segundo Terra Filho, será mapeada a população urbana que usa produtos que contenham amianto, como telha, os trabalhadores que têm contato direto com o produto e os ex-trabalhadores.?Vamos avaliar dentro das residências, no ambiente externo da residência e em um ambiente ultra-limpo, por exemplo, uma cidade afastada?, explicou. ?Vamos também fazer uma reavaliação dos trabalhadores que hoje já não estão mais no mercado, pois as doenças demoram a aparecer?, acrescentou.O pneumologista ressalta que não existe nenhum tratamento para as doenças relacionadas ao amianto. Para a fundadora da Abrea, a pesquisa declinará os conflitos em pauta, pois ela é patrocinada ?por quem poluí?. ?Há uma farsa da dupla credencial acadêmica, pois os médicos estão usando os nomes das universidades para promover a pesquisa?, afirmou.De acordo com ela, existe sim a entrada de dinheiro dos órgãos de fomento, mas é muito pouco. ?A maioria vem das indústrias do setor?, acrescentou Fernanda. Questionado sobre de quem partiu a iniciativa do levantamento, Terra Filho afirmou que foi protocolado uma pergunta pelo IBC. ?O questionamento do instituto é qual a quantidade de fibra de amianto dentro das casas de pessoas que moram em residências com telhas?, afirmou. ?Como não existe nenhuma medida ambiental no País, estamos realizando essa pesquisa para responder a pergunta?, explicou.Aqui começa mais um capítulo da queda-de-braço entre as indústrias e as entidades que lutam pelo banimento da fibra. Mais uma etapa que parece não ter fim.

AMANDA VALERI, Agencia Estado

27 de novembro de 2007 | 16h38

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