NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Universidades públicas de São Paulo cogitam parar aulas em caso de rodízio de água

USP, Unesp, Unicamp, Unifesp, UFABC, UFSCar e IFSP querem mais informações sobre mananciais para fazer plano de contingência

O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2015 | 18h08

Atualizada às 21h55

As universidades públicas de São Paulo cogitam interromper as aulas, caso um racionamento de água se confirme no Estado oficialmente. A informação foi dada após uma reunião, na manhã desta terça-feira, 3, entre representantes das instituições estaduais e federais, que apresentaram um conjunto de ações em relação à crise da água e anunciaram a criação um Painel Técnico-Acadêmico Permanente de Recursos Hídricos.

Nas escolas de educação básica ligadas ao Estado e à Prefeitura de São Paulo, por exemplo, já há ações de economia de água em curso. Entretanto, não há até agora confirmação de impacto no ano letivo. Participaram do encontro de representantes da Universidade de São Paulo (USP), Estadual Paulista (Unesp), Estadual de Campinas (Unicamp), Federal de São Paulo (Unifesp), Federal do ABC (UFABC), São Carlos (UFSCar) e Instituto Federal de São Paulo (IFSP). As instituições de ensino divulgaram nota conjunta em que elencam as ações de articulação. 

Segundo a reitora da Unifesp, Soraya Smaili, que convocou a reunião, ainda não há definição sobre suspensão das aulas - mas isso depende de mais informações sobre a situação dos reservatórios e a capacidade das instituições de funcionar. Em nota conjunta, as universidades prometem solicitar aos órgãos competentes informações sobre os níveis de quantidade e qualidade da água para garantir a elaboração adequada de seus planos de contingência.

Também se prontificaram a implementar, aprimorar e intensificar medidas concretas de economia e uso racional da água, além de “desenvolver ações de conscientização ambiental” e oferecer planos de contingência, “como modelo de gestão para a sociedade”.

Segundo a vice-reitora no exercício da Reitoria da Unesp, Marilza Vieira Cunha Rudge, a discussão por enquanto tem como objetivo principal saber como as universidades podem ajudar com a tomada de decisões e a gestão de crise. “Nossa missão é gerar conhecimento e recursos humanos. Trabalhamos nessa reunião com esse direcionamento”, disse.

Reflexos acadêmicos. Os impactos nas atividades das universidades também ganharam atenção. “Temos a preocupação de manter os hospitais veterinários, que têm animais internados, alguns de grande porte. Também há as nossas fazendas, com irrigação”, afirmou Marilza. O controle de irrigação das fazendas está no alvo do governo do Estado.

As instituições demonstraram ainda preocupação com as unidades de saúde ligadas às universidades - como o Hospital São Paulo, administrado pela Unifesp. No plano de racionamento da Sabesp, revelado pelo Estado em agosto do ano passado, centros médicos ficariam fora do racionamento. A regra que prevê multa para quem aumentar consumo de água também isenta hospitais.

Na nota oficial conjunta das universidades, elas colocaram “à disposição” dos governos suas competências na área de recursos hídricos para a organização de ações de contingência. “As universidades públicas do Estado de São Paulo congregam grande número de pesquisadores que, ao longo dos últimos anos, vêm se dedicando ao estudo dos recursos hídricos, em especial sobre o potencial desabastecimento público em função da crescente degradação ambiental e necessidade de ações efetivas de controle e conservação”, diz o documento.

Na próxima semana, o painel técnico, formado por pesquisadores, deve reunir-se para discutir a crise e indicar ações de economia de água e energia.

Em nota, a Sabesp defendeu que “escolas e hospitais terão atendimento prioritário para assegurar que não fiquem sem fornecimento de água”. 

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