Universitária acusada de racismo em 2010 é condenada em SP

Jovem postou no Twitter mensagem hostil aos nordestinos depois da vitória de Dilma na eleição presidencial

O Estado de S.Paulo

17 Maio 2012 | 07h51

A estudante universitária Mayara Petruso, que postou mensagem preconceituosa contra nordestinos no Twitter, em 2010, foi condenada a 1 ano, 5 meses e 15 dias de reclusão. A pena foi convertida em pagamento de multa de R$ 500 e prestação de serviços comunitários.

A acusada confessou ter publicado a mensagem depois de saber que José Serra, candidato de sua preferência na eleição presidencial, perdeu para Dilma Rousseff por causa da expressiva votação dos nordestinos. O texto publicado no microblog sugeria: "Nordestino não é gente. Faça um favor a São Paulo: mate um nordestino afogado".

A juíza federal Mônica Aparecida Bonavina Camargo, da 9.ª Vara Federal Criminal em São Paulo, entendeu que Mayara já sofreu parte da punição por causa do constrangimento moral de ser obrigada a deixar a faculdade, a permanecer reclusa em casa por seis meses com medo de sair à rua e, por fim, ter mudado de cidade por temer represálias, "situações extremamente difíceis e graves para uma jovem", nas palavras da juíza. Por isso, Mônica preferiu fixar a pena-base abaixo do mínimo legal para crimes de racismo, que seria de dois a cinco anos.

Mayara argumentou que não tinha intenção de ofender e não esperava que a postagem tivesse tanta repercussão. Afirmou não se considerar uma pessoa preconceituosa.

A defesa tentou argumentar que a universitária apenas manifestava uma posição política.

A juíza discordou: "As frases da acusada vão além do que seria politicamente incorreto, recordando-se que o 'politicamente correto' geralmente é mencionado no que toca ao humor, hipótese de que não se cuida nesta ação penal".

A sentença foi proferida em primeira instância. Portanto, cabe recurso da universitária.

A reportagem não conseguiu confirmar com a defesa da acusada qual será a conduta depois da decisão da juíza.

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