Universitária passa mal e morre em sala de aula

Estudante da FMU tinha arritmia cardíaca; família diz que instituição não ofereceu atendimento; alunos fazem protesto

FELIPE TAU , RICARDO VALOTA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h00

A estudante Angelita Pinto Simões Caldas, de 28 anos, aluna do 1.º semestre do curso de Ciências Contábeis do câmpus Itaim Bibi do Complexo Educacional Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), na zona sul, morreu na noite de anteontem após se sentir mal durante a aula. Ela sofria de arritmia cardíaca e havia parado com os remédios havia um mês, por orientação médica, segundo a família.

Ontem, por volta das 19 horas, um grupo de estudantes fez um protesto em frente ao câmpus. Eles chegaram a ocupar uma faixa da Rua Iguatemi.

O marido da universitária, José Carlos dos Santos, acusa a instituição de não oferecer um atendimento emergencial adequado. Ele afirma que Angelita agonizou por 42 minutos, sem receber ajuda de colegas ou funcionários da faculdade. A instituição nega.

"Eles não deixaram os colegas socorrerem minha esposa. Os bombeiros chegaram depois de 42 minutos. A gente vai entrar com processo, pois isso não pode ficar assim. Foi praticamente um homicídio", desabafou.

O caso foi registrado no 14.º Distrito Policial, de Pinheiros, pelo delegado Pedro Ivo, como morte suspeita e omissão de socorro. O delegado diz que vai investigar todos os procedimentos adotados pela faculdade e as possíveis falhas. Ele ouviu testemunhas que afirmaram que os colegas de classe foram impedidos pelos inspetores da universidade de levá-la para o Hospital São Luiz, que fica a 2 km do local - a faculdade, em nota, negou.

Segundo o relato dos estudantes à polícia, o Corpo de Bombeiros chegou cerca de 40 minutos após o primeiro chamado. Uma unidade do Samu também foi solicitada, mas quando os paramédicos chegaram a estudante estava morta.

Divergências. A FMU divulgou ontem uma nota na qual lamenta a morte e afirma que ela foi atendida corretamente. De acordo com o comunicado, Angelita passou mal às 21h37, o resgate foi chamado às 21h40 e os bombeiros iniciaram o atendimento às 21h51. A FMU também informou que tem 2 mil alunos matriculados e possui um desfibrilador com inspetores habilitados a usá-lo. O aparelho emite choques elétricos que podem retomar as batidas do coração de quem sofreu parada cardiorrespiratória.

De acordo com a legislação municipal, ele é obrigatório em locais com frequência média superior a 1,5 mil pessoas por dia.

A instituição não explica, no entanto, se ele chegou a ser usado em Angelita. E, se não foi, o motivo disso.

A FMU finalizou a nota dizendo que "toda a comunidade metropolitana está em luto, em respeito a perda de nossa aluna."

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a ambulância do Samu levou 19 minutos para chegar à unidade do Itaim-Bibi depois do pedido de socorro.

O Corpo de Bombeiros foi consultado pela reportagem, mas não informou os horários de recebimento de chamada e de chegada da ocorrência.

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