Urbanização não reduz desigualdade na América Latina

O processo acelerado de urbanização da América Latina e do Caribe levou 79% de sua população a viver em cidades e melhorou a qualidade de vida, mas não reduziu a desigualdade social, segundo estudo do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) apresentado hoje no 5º Fórum Urbano Mundial. O relatório "Estado das Cidades da América Latina e do Caribe" aponta que a parcela da população brasileira em zonas urbanas deve atingir 87% este ano, atrás de Venezuela (94%), Argentina (90%) e Chile (89%).

BRUNO BOGHOSSIAN, Agencia Estado

25 de março de 2010 | 17h53

"Hoje, a urbanização é vista como um aspecto positivo, que deu alternativas de vida para muitas pessoas que estavam no campo e se mudaram para as cidades, mas a desigualdade ainda é um grande desafio para a região", afirmou a diretora regional do ONU-Habitat, Cecília Martínez.

O relatório considera positivo o crescimento das cidades da América Latina e propõe que o modelo sirva de exemplo para países africanos e asiáticos que ainda passam por essa experiência. "O pior do processo de urbanização da região já passou. A América Latina ainda tem que resolver seu problema de desigualdade, mas teve, em geral, uma experiência melhor do que se esperava", avaliou o britânico Alan Gilbert, um dos autores da publicação.

Além de políticas nacionais de combate à pobreza e redução da desigualdade social, Martínez sugere um melhor aproveitamento urbano das regiões centrais das cidades. "As grandes metrópoles continuam crescendo em direção às suas periferias, onde encontramos moradias precárias, sem infraestrutura adequada. Enquanto isso, encontramos regiões centrais decadentes", disse, citando como exemplo a zona portuária do Rio, onde acontece o Fórum. "Temos que melhorar as áreas já existentes e não continuar estendendo indefinidamente o crescimento dessas cidades."

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