Uruguai atende Espanha e adia operação de fábrica

Abertura de obra, condenada por argentinos, só deve ocorrer após cúpula no Chile.

Marcia Carmo, BBC

01 de novembro de 2007 | 19h10

O ministro uruguaio do Meio Ambiente, Mariano Arana, anunciou nesta quinta-feira o adiamento do início do funcionamento da fábrica finlandesa de pasta de celulose Botnia, construída na cidade de Fray Bentos, às margens do Rio Uruguai, na fronteira com a Argentina.Há mais de dois anos, a construção da fábrica gera tensão entre Uruguai e Argentina. Os moradores da cidade argentina de Gualeguaychú, que divide o rio com Fray Bentos, são contra a construção da fábrica por motivos ambientais, mas o Uruguai vem se recusando a voltar atrás no empreendimento. Segundo Arana, a decisão foi tomada atendendo pedido de última hora da Espanha, mediador no caso."Decidimos postergar essa inauguração, que seria hoje, para os próximos dias para colaborar com o apelo de sua majestade, o rei da Espanha", afirmou Arana, durante coletiva em Montevidéu, no Uruguai.A decisão surpreendeu, como informaram em suas edições online os principais jornais do Uruguai, como o El Pais, e da Argentina, como o Clarín e o La Nación.Pouco antes do anúncio de Arana, a Direção Nacional de Meio Ambiente (DINAMA) do Uruguai havia afirmado, de acordo com a imprensa uruguaia, que o governo já tinha assinado a "habilitação definitiva" para a companhia Botnia. Trata-se da exigência que faltava para a fábrica ligar, de vez, suas máquinas. Arana afirmou que o funcionamento da fábrica foi adiado para depois da Cúpula Ibero-Americana, que será realizada no fim da próxima semana em Santiago, no Chile.A reunião contará com a presença do presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, e de representantes do governo espanhol e da Argentina, como o atual presidente, Néstor Kirchner, e a presidente eleita, Cristina Fernández de Kirchner. Em protesto contra a fábrica, moradores de Gualeguaychú interromperam por vários dias o trânsito na principal estrada federal que liga os dois países.A fábrica já estaria pronta e, segundo líderes dos protestos em Gualeguaychú, a chaminé já foi acionada várias vezes, mas seu funcionamento definitivo depende do aval de Vázquez. O jornal Clarín informa nesta quinta-feira que o presidente uruguaio tinha adiado a estréia oficial da empresa, que simboliza maior investimento já realizado no Uruguai, atendendo pedido do governo Kirchner. "O governo Kirchner conseguiu que essa medida fosse adotada só depois das eleições", escreveu na primeira página, referindo-se ao pleito presidencial realizado domingo na Argentina, que deu vitória a candidata do governo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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