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Uruguai cria brigada de prevenção de incêndios com presidiários

Projeto que será implementado em três Estados do país visa preparar presos com penas leves para a vida em liberdade.

Marcia Carmo, BBC

18 de fevereiro de 2011 | 08h06

Projeto com início em Rocha será levado para outras regiões

Um grupo de presos no Uruguai começou a trabalhar nas brigadas de prevenção contra incêndios na cidade de La Paloma, no departamento (Estado) de Rocha, na fronteira com o Brasil.

O projeto utilizando presidiários será levado ainda para outras regiões do país, com os Estados de Maldonado e Canelones.

A medida faz parte do pacote de reformas na área de segurança pública que vêm sendo debatidas no país desde que o presidente José 'Pepe' Mujica assumiu a Presidência, em março de 2010.

No total, segundo o jornal El Pais, de Montevidéu, o governo espera usar mais de dois mil presos, com penas leves e boa conduta, em diferentes programas que tenham como objetivo prepará-los para algum tipo de trabalho quando forem libertados.

"O trabalho reabilita" é o lema do governo, informaram à BBC Brasil assessores do Ministério do Interior. O coordenador geral do Sistema de Emergências, Gustavo Leal, disse que a tarefa dos presos que vão trabalhar na prevenção contra incêndio será "a poda de árvores e melhorias nas áreas com alto risco de incêndio florestal".

Os presos que quiserem e atenderem às exigências do governo vão trabalhar três meses, seis horas por dia, e receberão um pagamento mensal, de 3,7 mil pesos (cerca de R$ 310), que será depositado em uma poupança.

Cada um dos primeiros três grupos de presos, disse Leal, é formado por 20 detentos, entre homens e mulheres. Eles trabalharão acompanhados por agentes penitenciários.

Por cada dia trabalhado, segundo a imprensa local, o preso terá um dia a menos na cadeia. Em um censo recente, de janeiro deste ano, autoridades uruguaias constataram que o país de três milhões de habitantes tem 9.100 presos.

Profissionalização

Em janeiro do ano passado o país tinha uma população carcerária de 8.700. Mais de 60% dos presos são reincidentes, o que contribuiu para a discussão sobre a profissionalização dos detentos.

"O governo Mujica entende que eles precisam sair preparados e com uma opção de trabalho. O dinheiro também ajuda o novo início de quem sai da cadeia", disse o assessor de imprensa do Ministério do Interior, Fernando Gil.

O diretor do Instituto Nacional de Reabilitação (INR), Eduardo Pereira Cuadra, disse ao jornal uruguaio que já existe a lista com os 2.160 presos que "poderão ser liberados" a partir de um projeto de lei que também será enviado ao Congresso, prevendo medidas para o "descongestionamento" do setor penitenciário.

A idéia de incluir os presos nas brigadas de prevenção contra incêndio é só uma das medidas na área de segurança pública.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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