USDA deve cortar estimativa para safras da América do Sul

O clima quente e seco deve levar o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) a rebaixar sua previsão para as safras de milho e soja no Brasil e na Argentina, medidas que sinalizariam um aumento da demanda por exportação de oferta dos EUA, disseram analistas.

JULIE INGWERSEN, REUTERS

06 Março 2012 | 16h14

"Eu espero um aumento da demanda por exportação da safra velha (dos EUA) por causa da deterioração nesses últimos meses das perspectivas para milho e soja na América do Sul", disse Jerry Gidel, analista de grãos da Rice Dairy, corretora baseada em Chicago.

O USDA deve divulgar seu relatório sobre oferta e demanda de março na sexta-feira, dia 9, às 11h30 (horário de Brasília).

As safras de soja no sul do Brasil foram afetadas pelas condições de tempo seco no mês passado, enquanto o clima quente afetou fortemente as safras da Argentina em dezembro e janeiro. As perdas da safra ajudaram a elevar os futuros da soja na bolsa de Chicago em 9,5 por cento em fevereiro, atingindo máxima de cinco meses.

A previsão média para a colheita de soja 2011/12 do Brasil de acordo com os 16 analistas norte-americanos consultados pela Reuters é de 69,338 milhões de toneladas, abaixo da projeção de fevereiro do USDA, de 72 milhões.

Na semana passada, o relatório do adido agrícola do USDA previu uma colheita de soja do Brasil de 70 milhões de toneladas. Os relatórios do adido agrícola não são dados oficiais do USDA, mas podem sinalizar mudanças que a agência pode tomar em seu próximo relatório mensal oficial.

Para a Argentina, analistas previram uma safra de soja 2011/12 em 46,822 milhões de toneladas, abaixo da estimativa de fevereiro, de 48 milhões.

MILHO

Para o milho, a estimativa média dos analistas para a safra 2011/12 da Argentina ficou em 21,25 milhões de toneladas, ante a projeção de fevereiro de 22 milhões. A Argentina é o segundo maior exportador de milho após os Estados Unidos.

"Há rumores na América do Sul de uma safra argentina de 20 milhões de toneladas, mas eu não sei se muitas pessoas anteciparam que o USDA vai chegar lá", disse Gidel.

Shawn McCambridge, do Jefferies Bache, acrescentou, "Eu acho que o USDA será modesto em suas reduções neste relatório."

A estimativa média para a safra de milho do Brasil foi de 60,194 milhões de toneladas, ante a previsão de fevereiro do departamento, de 61 milhões de toneladas.

"De sessenta a 61 milhões estão em jogo para a safra do Brasil. Se for um número de 58 (milhões), vai provavelmente chamar a atenção do mercado", disse Gidel.

(Reportagem de Julie Ingwersen e Sam Nelson)

Mais conteúdo sobre:
COMMODSUSDAAMSUL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.