Usiminas estuda reajuste automático de preço do aço

A Usiminas está estudando a criação de um sistema de gatilho sobre os preços do aço que seja disparado toda a vez que os preços de insumos como carvão e minério de ferro sejam reajustados, afirmou nesta quinta-feira, o vice-presidente de negócios da companhia, Sérgio Leite.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

13 de maio de 2010 | 15h13

Os estudos decorrem da mudança na prática de reajuste de preços do minério de ferro de negociações anuais para trimestrais, ocorrido este ano, e sinalização de que o mercado de carvão também adotará o mesmo critério, disse o executivo em teleconferência com analistas sobre os resultados divulgados mais cedo .

"Em função da nova sistemática de aumento trimestral de minério, que deverá ocorrer também em carvão, muda todo o processo com os clientes. Assunto preço (de aço) passa a ser também assunto de discussão trimestral", disse Leite, depois que a companhia divulgou lucro líquido de 309 milhões de reais no primeiro trimestre, revertendo prejuízo de 112 milhões de reais um ano antes.

"Estamos estudando a inserção de algum mecanismo automático que acompanhe o preço do minério", disse o executivo, sem prever quando tal sistema poderia ser implementado.

Segundo o executivo, há espaço para alta de preços de aço no terceiro trimestre de entre 10 e 15 por cento, diante da previsão de novos aumentos nos custos com minério de ferro e carvão no atual trimestre.

Em abril, a Usiminas aumentou seus preços entre 11 e 15 por cento após o preço do minério de ferro ter sido reajustado pelas grandes mineradoras em cerca de 90 por cento, retroativos a janeiro.

Questionado por analista sobre a possibilidade de um reajuste ainda maior dos preços no terceiro trimestre, Leite afirmou "estamos totalmente atentos às oportunidades. Se houver espaço para 20, 25 ou 30 por cento nós faremos".

Mas o novo presidente da companhia, Wilson Brumer, que assumiu o posto no início deste mês, ponderou: "Temos que tomar cuidado para não colocarmos a mão muito forte nos aumentos, não podemos abrir espaço para as importações (de aço)".

Na expectativa dos executivos da Usiminas, o minério de ferro voltará a ser reajustado neste trimestre, em cerca de 30 por cento, após quase dobrar de preço no primeiro trimestre. Enquanto isso, os preços do carvão deverão subir 30 por cento no segundo semestre.

ATIVOS

Brumer afirmou ainda que a Usiminas decidiu vender a participação de 14,25 por cento detida na siderúrgica latino-americana Ternium em até 12 meses por entender que o investimento já está "maduro".

"É uma bela empresa, com boa capacidade (...) devemos reconhecer que esse investimento já está maduro para o momento atual e para o futuro da Usiminas e há a decisão de venda desse ativo", disse o presidente da siderúrgica brasileira. "Mas vamos fazer isso em parceria com a Ternium e com a sócia (argentina) Techint", acrescentou, sem estimar prazo exato para a operação.

O executivo disse também que a Usiminas segue em negociações para obter um sócio estratégico para a unidade produtora de minério de ferro J. Mendes, com uma eventual chance de abertura de capital em bolsa de valores.

Brumer afirmou que as negociações envolvem um grupo não minerador estrangeiro e que a participação sendo negociada é de em torno de 20 por cento, mas não deu mais detalhes.

"Se partíssemos hoje para um IPO puro, possivelmente teríamos que vender essa participação (na J. Mendes) com um desconto bastante razoável", disse Brumer. Ele explicou que a intenção é primeiro organizar a unidade com operações logísticas e esperar um momento mais favorável dos mercados.

"O desenho que estamos fazendo é resolver primeiro as fragilidades antes de fazermos um IPO", disse Brumer.

PRODUÇÃO DE AÇO

A Usiminas, que produziu 1,82 milhão de toneladas de aço bruto no primeiro trimestre, operou utilizando entre 85 e 90 por cento de sua capacidade total e a expectativa é de que essa taxa seja ampliada nos próximos meses, depois que a empresa desligou alto-fornos em 2009 pela queda na demanda gerada pela crise financeira internacional.

"Estamos em uma fase de aceleração da operação e no primeiro trimestre também tivemos alguma dificuldade de fornecimento de pelotas (de minério de ferro), porque o mercado estava muito apertado", disse o vice-presidente de finanças, Ronald Seckelmann.

Brumer afirmou que espera que no próximo trimestre a Usiminas possa oferecer "um número melhor de produção".

O executivo, que afirmou que uma de suas prioridades é buscar aproximação com clientes, afirmou que a companhia fechou na segunda-feira acordo para fornecimento de cerca de 7,7 mil toneladas de chapas grossas para a subsidiária de transportes da Petrobras, Transpetro, que está investindo na construção de 49 navios até 2014.

Às 14h53, as ações da Usiminas recuavam 2,17 por cento, enquanto o Ibovespa caía 0,05 por cento.

"Ressaltamos nossa preocupação quanto ao fraco volume de vendas apresentado pela empresa neste trimestre. Enquanto o Instituto Aço Brasil (IABr) divulgou números que indicam uma evolução de 2,4 por cento nas vendas internas de laminados planos no primeiro trimestre contra o quarto trimestre, e a CSN reportou volumes 9,1 por cento maiores, na mesma base de comparação a Usiminas apresentou uma retração de 3 por cento", citou a corretora Brascan em relatório, mantendo recomendação "outperform" para as ações da empresa.

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