Uso de antidepressivos quadruplica entre crianças britânicas

Médicos do país prescreveram 631 mil medicamentos para menores em 2006.

BBC Brasil, BBC

23 Julho 2007 | 20h00

O número de antidepressivos receitados para crianças com menos de 16 anos quadruplicou nos últimos dez anos na Grã-Bretanha. De acordo com dados oficiais, no ano passado, médicos britânicos deram mais de 631 mil receitas para jovens diagnosticados como portadores de doenças mentais ou de depressão. A quantia excede em muito a média de antidepressivos recomendados por médicos do país para jovens em meados dos anos 90. Naquela época, a quantidade era de aproximadamente 146 mil por ano. Os dados foram obtidos por David Laws, um deputado do Partido Liberal Democrata que lida com temas ligados à infância. Nesta segunda-feira, o jornal Daily Telegraph trouxe uma reportagem sobre uma menina de quatro anos que se tornou a mais jovem do país a ser tratada com antidepressivos. De acordo com o jornal, a menina passou a se sentir mal e a chorar quando foi enviada para um novo colégio. Por conta disso, seus pais a levaram a um médico, com mais de 20 anos de prática, que receitou o uso de antidepressivos. De acordo com o diário, o médico defendeu sua ação, dizendo concordar que tal prática é ''''pouco comum, mas não sem precedentes''''. ''''Nós primeiro tentamos uma série de uma série de terapias psicológicas, mas não descartamos o uso de antidepressivos nem por uma criança de quatro anos'''', teria afirmado o médico. ''''É um tema de grande preocupação que este tipo de medicamento seja indicado para crianças em idade escolar'''', afirmou o deputado David Laws. Segundo os dados coletados pelo deputado, mais de 31 milhões de receitas para antidepressivos para pessoas de todas as idades foram dadas no ano passado na Grã-Bretanha. A cifra representa um aumento de 6% em relação ao ano anterior. Mayur Lakhani, o presidente do principal órgão britânico de clínicos gerais, o Royal College of General Practicioners, afirmou que ''''médicos receitam antidepressivos apenas após uma cuidadosa avaliação da condição do paciente''''. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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