Uso de Enem no cálculo do Ideb pode gerar distorção

O uso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), proposto pelo ministro Aloizio Mercadante, pode não representar a realidade de todas as escolas do País. No exame de 2010, o último com os dados disponíveis, 60% das escolas tiveram menos da metade dos alunos no Enem. Em apenas 7,6% das unidades mais de 90% dos alunos fizeram o exame.

OCIMARA BALMANT E PAULO SALDAÑA, Agência Estado

23 de agosto de 2012 | 09h26

Estados em que as escolas tiveram menor participação também registraram as mais baixas notas no Ideb. Em Alagoas - que tem o pior índice do País (2,6,) -, 77,9% das escolas não tiveram nem metade dos estudantes no Enem. Logo em seguida, vêm o Amapá e o Pará, com pouca adesão e notas abaixo da média nacional.

Os dados mostram que não é totalmente certa a teoria de que o Enem tem representatividade censitária, como defende Mercadante. Além disso, o exame é feito por alunos mais preparados, mais focados na universidade, e as piores escolas têm uma proporção menor de alunos no exame. Isso também explica a melhora de desempenho maior do que a registrada no atual modelo de amostragem do Ideb, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), composta de 70 mil alunos. A partir disso são calculadas as médias estaduais.

Um levantamento feito pelo economista Ernesto Martins Faria, do blog Estudando Educação, mostrou que as escolas têm menor participação são as que têm mais alunos atrasados e vulneráveis socialmente e, consequentemente, piores notas.

Segundo um ex-funcionário do alto escalão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o problema de adotar o Enem é a abrangência. "Quem faz o Enem são os melhores alunos em geral, o que beneficia as piores escolas", diz ele, que pediu anonimato. "Mas é importante manter o que já existe com o Saeb." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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