Uso deve ser balanceado

No caso do caroço de algodão, nível de gordura limita [br]o consumo na ração dos bovinos

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 03h28

À espera de pesquisas que comprovem o efeito do caroço de algodão na carne, pecuaristas utilizam o subproduto com cautela. "Não há nada oficial, mas o pessoal comenta que o caroço deixa gosto na carne", diz o criador Ivandeci José Cabral, de Emilianópolis (SP). Cabral tem mil bovinos e usa o caroço há dez anos. "A gordura, porém, limita o consumo. Posso fornecer só até 4 quilos por 450 quilos de bovino."

O pesquisador Mauro Sartori Bueno, do Instituto de Zootecnia (IZ-Apta), diz que a proporção do caroço, como de qualquer subproduto, na dieta depende dos teores de proteína e energia. O caroço de algodão contém de 20% a 25% de proteína bruta e bastante óleo. Bueno diz que parte do óleo do caroço é incorporada à carne. "Isso muda o perfil dos ácidos graxos e da gordura da carne, o que pode alterar o sabor."

Na Praterra Agropecuária, com fazendas em São Paulo e Mato Grosso e abate anual de 7 mil animais, o gerente-geral Caio Arroyo Barbosa diz que parou de usar o caroço por economia. "Usamos no início do ano e nunca tivemos reclamação em relação ao gosto da carne. O custo é que não estava compensando." Quando o preço é bom, diz Barbosa, o caroço é usado no semiconfinamento e na criação a pasto.

Para evitar qualquer tipo de problema relacionado a sabor e aroma da carne, a distribuidora Companhia Bonsmara Beef trabalha apenas com pecuaristas que não fornecem caroço aos animais. Os fornecedores seguem um protocolo de produção, explica o diretor executivo da Cia. Bonsmara Beef, Marcelo Shimbo. "Nossa postura, de proibição ao uso deste insumo na engorda de animais, deve-se ao fato de não haver pesquisas esclarecedoras sobre o assunto. Há divergências de opiniões e, como o produto bonsmara é voltado ao mercado premium, com garantia do padrão de qualidade, optamos por não utilizar o caroço", diz Shimbo.

Para não correr o risco de ter seu produto com sabor e aroma alterados, o zootecnista Anildo Haenisch Conrado, com fazendas em Mato Grosso do Sul, também não usa caroço de algodão na dieta do plantel de 2 mil bovinos brangus. "Falam que ele pode ser usado dentro de um limite, mas como não tem nada comprovado, optei por não usar", diz.

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