'Uso do prédio tinha de ter sido decidido'

O reitor da USP diz que a reitoria não questionou o uso do edifício e destaca que as unidades têm 'certa autonomia'

Carlos Lordelo, do Estadão.edu, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2011 | 03h01

ENTREVISTA

João Grandino Rodas, reitor da USP

 

O reitor da USP, João Grandino Rodas, nega ter pedido à Prefeitura que retomasse a posse do prédio da Faculdade de Direito. Segundo ele, a Prefeitura notificou a reitoria sobre a "casa abandonada" e pediu o imóvel. "Eu só disse 'tudo bem, vamos rescindir o contrato'", diz Rodas. Na primeira vez desde que foi considerado persona non grata pela Congregação da São Francisco, Rodas fala ao Estado sobre sua relação com a mais tradicional unidade da USP.

 

O solar seria usado para a promoção de cursos específicos para servidores da Prefeitura?

 

Não, seria usado para a realização de cursos de extensão e de especialização a serviço da comunidade abertos com a autorização da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão. Existia potencial para se fazer cursos em que procuradores pudessem participar, assim como milhares de pessoas. Mas não estou dizendo o que a faculdade deveria ter feito. Ela só deveria ter resolvido logo o destino do prédio.

 

Então não havia contrapartida?

 

A contrapartida era fazermos um curso desses de pós-graduação lato sensu que são feitos às centenas. São cursos livres, em que se entra sem vestibular.

 

O sr. nunca interferiu no uso do prédio?

 

O imóvel estava nas mãos da Faculdade de Direito. A reitoria não questionou o uso do prédio. E eu nunca soube o que a faculdade queria fazer ou não. As unidades têm certa autonomia. Quando eu saí da direção da faculdade, o edifício tinha guarda, limpeza e licitação para comprar móveis. A licitação foi cancelada e eu não soube de nada.

 

Por que o sr. fez boletins criticando a faculdade?

 

Não fiz críticas. O primeiro boletim saiu porque ia ocorrer uma aula pública e havia cartazes afirmando que eu não fiz nada pela faculdade nos últimos dois anos. No boletim, mostrei o que fiz e o que foi pedido pela nova gestão. Não é nada contra o professor Magalhães (diretor da São Francisco). Ele também é uma vítima das circunstâncias.

 

O que o sr. achou de ser considerado persona non grata?

 

Não tenho nada a dizer a respeito. Aborreço-me com coisas que vêm de amigos.

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