JB Neto/AE
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USP anuncia mudanças no vestibular da Fuvest para torná-lo mais 'seletivo'

Entre as medidas do Conselho de Graduação, que valem para o vestibular deste ano, a nota da primeira fase volta a contar na pontuação final e a nota mínima para passar de fase sobe de 22 para 27 pontos; segunda fase terá dois ou três candidatos por vaga

Mariana Mandelli, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2011 | 00h00

A partir deste ano, conquistar uma vaga na Universidade de São Paulo (USP) ficará mais difícil. Ontem, o Conselho de Graduação (CoG) aprovou cinco mudanças no exame da Fuvest que eram discutidas havia meses. Agora, a nota da primeira fase volta a valer na pontuação final; a nota mínima para passar para a segunda etapa sobe de 22 para 27 pontos; e serão aprovados para a segunda fase de dois a três candidatos por vaga - e não mais três.

 

Além dessas alterações, o número de questões da prova do segundo dia da segunda fase foi reduzido de 20 para 16 e foi criada a possibilidade de escolha de uma outra carreira a partir da terceira chamada do vestibular.

 

Em março, a CoG havia aprovado outras duas propostas: um novo programa de inclusão que aumenta a bonificação de alunos oriundos da rede pública de até 12% para até 15%, mediante o desempenho na primeira fase; e a autenticação das informações prestadas na inscrição da Fuvest, para identificar candidatos com ensino médio incompleto inscritos em carreiras específicas - e não como "treineiros".

 

Segundo a pró-reitora de graduação da USP, Telma Zorn, o vestibular não ficou mais difícil porque não houve alterações na estrutura e na essência da prova. "São pequenos ajustes necessários em prol do aluno e também da qualidade do processo. O formato, o conteúdo e o nível das questões não foram mudados."

 

As propostas, pensadas pelo grupo de trabalho para o vestibular da USP coordenado pelo pró-reitor adjunto de graduação, Paul Jean Jeszensky, objetivam tornar o processo mais seletivo e aumentar a qualidade dos ingressantes. Para ele, mesmo com as alterações, o número de ingressantes com ensino médio na rede pública não vai diminuir. "Simulações nos mostram isso."

 

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Motivos. De acordo com o grupo, a nota da primeira fase voltou a ser considerada para que se obtenha uma visão mais global do candidato. Assim, a nota passa a valer 25% do processo - os outros 75% são divididos entre os três exames da segunda etapa.

 

O aumento no número de acertos mínimos na primeira etapa para 27 questões também aponta para a qualidade do candidato. Pelos cálculos do grupo de trabalho, com a nota mínima de 22, um em cada dez alunos que "chutaram" todas as 90 questões passavam para a segunda etapa. Agora, passa a ser de 1 em 100.

 

A mudança no índice K, variável utilizada pela Fuvest para determinar a quantidade de concorrentes que vão para a segunda etapa, vai impactar da seguinte forma: as carreiras com maior nota de corte - as mais concorridas - vão chamar um número maior de candidatos.

 

Segundo Telma, o candidato que ficará de fora - já que, até então, sempre três passavam - é aquele que não seria aprovado. Com menos candidatos, ela espera que o desempenho dos corretores das provas melhore. "A redução será de 5% a 6% no número de provas para corrigir", disse. Assim, a divulgação dos resultados poderá ser antecipada.

 

Com uma seleção mais rigorosa, há o risco de o número de vagas ociosas subir. Mas, diz o grupo de trabalho, a USP teve, após a terceira chamada deste ano, 98% das vagas ocupadas - sobraram 235 para as seguintes. Além disso, a chance de optar por uma nova carreira após a terceira chamada ajudaria a sanar a questão.

 

Sobre a chance de a medida aumentar a evasão, Telma diz que a USP prefere assumir o risco, já que o universo de alunos é pequeno. A ideia é não desperdiçar os bons alunos que não foram aprovados nos cursos que escolheram. Mas, segundo Telma, a unidade pode recusar o candidato. "Há unidades que são mais abertas que outras", disse.

 

A redução de questões no segundo dia da segunda fase foi aprovada porque a Fuvest percebeu que a prova era "pesada" - 80% dos alunos ficavam até os últimos minutos da prova.

 

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