USP registra mais alunos vindos da rede pública

Crescimento foi de 9,7%, o que representa 3.038 das 10.852 vagas oferecidas em 2012

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2012 | 03h07

A Universidade de São Paulo (USP) registrou em 2012 um aumento de 9,7% na participação de alunos oriundos da escola pública nas matrículas em relação a 2011. Neste ano, 28% dos novos alunos cursaram alguma parte da educação básica na rede pública - o porcentual foi de 26% em 2011.

Desde 2006, quando foi iniciado o programa de bonificação para alunos com esse perfil, o melhor resultado foi registrado em 2009:29,6%.

O porcentual deste ano indica que, das 10.852 vagas disponíveis no vestibular 2012, 3.038 foram ocupadas por estudantes de escola pública. Desses, só 319 (2,95% do total) entraram na universidade pelo Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp), voltado a alunos que cursaram todos os anos exlusivamente em escolas públicas (mais informações nesta página).

A pró-reitora de Pós-Graduação da USP, professora Telma Zorn, vê com grande entusiasmo os resultados de inclusão desses alunos. "É importante dar confiança às famílias que têm filhos em escolas públicas que é possível que eles cheguem à USP", disse ela ontem, durante apresentação dos resultados.

Descompasso. A USP sempre sofreu críticas em relação ao perfil dos alunos que ocupam suas vagas - a maioria absoluta vem de escolas particulares.

Apesar do avanço nos últimos anos, o corpo discente da universidade ainda não reflete a realidade da educação básica brasileira: 85% dos estudantes são de escolas públicas.

A atual gestão da pró-reitoria preferiu não traçar metas para a inclusão desse perfil de aluno. Para Telma, a participação desses alunos ainda não é a ideal, mas a universidade não pode abrir mão da excelência e de contar com alunos bem preparados.

"A meta é incluir com qualidade, colocar isso em risco não faz bem a ninguém", diz ela. "A universidade precisa de massa qualificada. Enquanto as escolas públicas não fizerem seu papel, vamos ficar neste patamar."

Em uma avaliação com os ingressantes de 2007 a 2010, a USP constatou que o desempenho dos beneficiados pelos programa de bônus a alunos de escolas públicas foi o mesmo que os que não tiveram o benefício.

Este ano foi o primeiro com a nova regra de bonificação para esses alunos. A universidade espera que o número de inscritos no Pasusp continue crescendo, e em consequência os estudantes que realizam a prova como treineiro - realizam o exame no 2.º ano do ensino médio.

A participação na Fuvest desses estudantes antes da formatura, segundo Telma, é preponderante para que a USP passe a ser cada vez mais democrática. "Isso aproxima esses alunos da universidade. Se ele fez a prova antes de se formar, impossível que ele se porte da mesma forma na escola no último ano do ensino médio." As novas regras do Pasusp, inclusive, indicam que o estudante deve realizar a prova nesse estágio.

Inclusão. A análise socioeconômica dos ingressantes ainda mostram que, na média dos estudantes matriculados, 33% têm renda de até 5 salários mínimos. No recorte de alunos que estudaram em escola pública, esse índice é quase o dobro: 58% têm renda familiar de até 5 salários.

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