USP terá de quintuplicar número de negros vindos da rede pública

Hoje, a instituição tem apenas 7,3% de alunos pretos ou pardos; esse valor terá de chegar em 35% até 2016

O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2012 | 02h12

A USP terá de quintuplicar o número de alunos pretos, pardos e indígenas de escolas públicas até 2016 para cumprir o porcentual de 35% de suas vagas reservadas a esses cotistas. Hoje, a instituição tem apenas 7,3% com esse perfil, representado por 793 do total de 10.733 alunos.

Com porcentuais um pouco superiores, Unesp e Unicamp também deverão multiplicar seus números. Na primeira, o índice de negros é de 9,8% - o que corresponde a 697 dos 7.094 estudantes - e na instituição de Campinas ele fica ainda um pouco abaixo: apenas 8,5% das 3.554 vagas são ocupadas por negros que saíram de escolas públicas. Por lá, eles somam 305.

Ao se considerar apenas os cursos mais concorridos desses três vestibulares, o porcentual tende a cair ainda mais. Neste ano, a graduação em Medicina no campus de Botucatu da Unesp, por exemplo, não tem nenhum aluno de escola pública, branco ou preto, em suas 90 vagas. O mesmo acontece com a graduação em engenharia mecânica do campus de Guaratinguetá, que oferece 30 vagas.

Proporção. Esses índices correspondem apenas aos negros oriundos de escolas públicas. Se forem considerados os que também saem dos colégios privados, o porcentual dobra.

Isso significa que, mesmo sendo exceção nas instituições, metade dos estudantes pretos, pardos e indígenas da USP, Unesp e Unicamp estudou em escolas particulares e, portanto, não estaria contemplada pela política de cotas anunciada ontem pelo governador.

A situação mais extrema está na Faculdade de Medicina de Marília (Famema). Lá, das 120 vagas, somente 11 são ocupadas por negros, nenhum deles egresso do ensino público. /O.B.

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