Usuário de ônibus poderá ter de andar e fazer baldeação

Uma das hipóteses seria usar os acessos interditados

Cristiane Bomfim e Renato Machado, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2009 | 00h00

A Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) estuda adotar um esquema de baldeações em alguns ônibus que atravessam as três pontes interditadas. O secretário Alexandre de Moraes confirmou a hipótese, ontem, caso os congestionamentos prejudiquem a travessia de veículos. Os passageiros precisariam então descer em pontos determinados pela São Paulo Transportes (SPTrans), caminhar parte do trajeto e depois seguir viagem em outro coletivo, a partir de um local onde o trânsito esteja fluindo melhor.

"Algumas pessoas podem eventualmente pegar um outro veículo que vá para outro local. Então, em vez de transpor essa ponte, elas podem parar, seccionar e pegar uma baldeação, um novo ônibus", afirmou Moraes, enquanto acompanhava na Ponte da Casa Verde o primeiro grande teste das mudanças. O secretário acrescentou que as baldeações seriam possíveis pela vigência de três horas do bilhete único.

Ao ser questionado por outros detalhes, o secretário afirmou que não iria mais comentar o assunto, até porque a operação somente será adotada em casos de extrema necessidade. "Estamos analisando, para causar o menor impacto possível para as pessoas." Um diretor da SPTrans afirmou que a empresa destinaria um local seguro para o desembarque dos passageiros e "seguramente" não seria nas vias. Uma das hipóteses seria usar os acessos bloqueados das pontes.

Após desembarcarem, os passageiros precisariam caminhar um trecho para depois seguirem viagem em outro coletivo. A principal hipótese estudada pela SPTrans é que os passageiros atravessem a extensão das pontes para pegar um novo ônibus na outra margem, fugindo da lentidão na ponte. Outra possibilidade é de que eles "desçam" para tomar um outro coletivo que virá e seguirá pela Marginal até uma outra ponte menos congestionada.

"Como os passageiros vão fazer em dia de chuva? Em vez de reservar uma faixa para os ônibus fugirem do congestionamento, eles vão punir os passageiros para não atrapalhar os usuários de carros", diz o consultor Horácio Figueira. Pelo plano inicial, de qualquer forma, os usuários teriam de caminhar.

Diariamente passam pelas cinco pontes que ficarão interditadas - Limão e Bandeiras terão bloqueios em novembro - 102 linhas de ônibus, que transportam 928 mil pessoas. Procurada, a SPTrans minimizou a hipótese de baldeações porque "o trânsito (ontem) fluiu dentro do previsto".

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