Usuários vivem drama para obter atendimento

Clientes relatam casos em que planos de saúde criam dificuldades para liberar exames, [br]tratamentos e cirurgias

Fabiane Leite, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2010 | 00h00

A avó e a mãe da técnica administrativa Aline Lúcia Stella, de 33 anos, sempre enfrentaram dificuldades para marcar consultas no plano. Mas situação piorou quando Nair, a avó, de 80 anos, recebeu um diagnóstico de um tumor na perna e foi internada em meados de março em um hospital da empresa em Mauá, na Grande São Paulo, relata Aline.

No total, Nair esperou 22 dias e não conseguiu fazer a cirurgia, diz a família. Em Mauá, aguardou dez dias, conta Aline. No local, no entanto, não havia profissionais preparados e a idosa teve de ser transferida para fazer a cirurgia em outro hospital do plano, na zona sul de São Paulo.

"Foi o caos, no primeiro dia (na unidade em São Paulo) até sem comida ela ficou", afirmou Aline. "Os médicos passavam no quarto e nem olhavam para ela."

Foram outros 12 dias de espera, afirma a neta, até que a família desistiu e conseguiu levá-la para o Hospital do Servidor Público do Estado, onde seria operada na sexta-feira. "Você espera um atendimento melhor e vê que é pior do que hospitais do SUS", diz Aline.

Cansaço. "Ainda bem que tenho acesso a e-mail, fax. A confusão começa no atendimento da operadora. Você chega a esperar 60 minutos para ser atendida e obter a senha de autorização", relata a administradora de vendas Rosane Nascimento, de 34 anos.

Rosane só conseguiu autorização para a realização de cateterismo na mãe, Izabel, de 61 anos, portadora de doença de Chagas, após recorrer via e-mail à redação do Estado, quando já esperava havia 13 dias. O jornal questionou a empresa, que semanas depois autorizou o procedimento.

"É um convênio popular. E quem não tem acesso a telefone e e-mail, como fica?", diz Rosane. Também usuária do plano, costuma enfrentar dificuldades para conseguir consultas na região do ABC. "Tem médico que só tem consulta para meados de junho", reclama.

No caso relatado pelo administrador de empresas Álvaro Almeida Júnior, de 40 anos, as barreiras foram para um atendimento de emergência para a mãe em um hospital do plano, em 2007. Com suspeita de aneurisma cerebral, Judith esperou 11 horas para fazer a ressonância. Teve se ser transferida para outro hospital conveniado para realizar o exame. No retorno ao primeiro local, não havia neurocirurgião, relata Álvaro. O profissional só avaliou sua mãe passadas outras 17 horas.

Judith foi operada somente por ordem judicial. Porém, precisou de nova transferência para a ressonância. Morreu dias depois de retornar do segundo exame. "A lembrança de tudo isso me faz mal. Ela era saudável, pouco usava o plano antes disso tudo ocorrer", afirma Álvaro.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não divulgou os nomes das empresas que tiveram problemas em avaliação sobre sua rede assistencial. Por isso, não é possível afirmar que nos casos descritos existiam deficiências nos serviços de saúde ofertados.

Em nota, a Samcil, plano de Nair, disse que "a paciente recebeu todo o atendimento necessário" e que, "apesar do esforço (...), foi transferida à revelia" pela família. A Amesp, plano de Izabel, que pertence à Medial, comprada pela Amil, apontou que a idosa foi atendida "respeitando as rotinas administrativas da operadora", que constam no contrato. Enfatizou ainda que "constantemente realiza alterações em sua rede credenciada e própria, com o objetivo de trazer ainda mais conforto e qualidade". O plano da mãe de Álvaro, o São Cristóvão, não respondeu.

Negativa de cobertura

Buscar atendimento em um serviço do plano e não conseguir pode ser sinal de insuficiência da rede do convênio. Mas limitações contratuais e de pacotes entre planos e serviços de saúde também podem explicar a situação.

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